Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Questionado sobre candidatura, Doria desconversa e defende nome de Centro

Prefeito de SP disse em evento que "o eleitor é quem decidirá se um candidato pode disputar"

Francisco Carlos de Assis, Eduardo Laguna, Adriana Ferraz e Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

27 Novembro 2017 | 12h55

SÃO PAULO - O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), voltou a defender, nesta segunda-feira, 27, uma candidatura de Centro para a Presidência da República. Ao ser questionado mais uma vez se será candidato e a qual cargo concorreria em 2018, desconversou e também não descartou a possibilidade da corrida presidencial. "Quem tem que dizer é a população, o eleitor é quem decidirá se um candidato pode disputar", disse o tucano, durante evento "Fórum Veja: Amarelas ao Vivo", realizado na capital paulista pela Revista Veja.

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"Eu entendo que o Brasil precisa de uma candidatura de Centro. (Jair) Bolsonaro está aqui e eu o respeito, mas o Brasil precisa ir pra frente. E os partidos precisam ter consciência em defesa do que é melhor para o Brasil", frisou. E defendeu um debate "em torno de propostas para o País" em vez de questões partidárias. "Eu sou tucano, mas não ando em cima do muro; minhas posições são claras", ironizou.

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O prefeito ainda disse que não é ele quem pede sondagens eleitorais que incluem o seu nome à corrida presidencial do ano que vem. E voltou ao discurso que vem fazendo desde que seu nome começou a circular como um dos postulantes ao Palácio do Planalto. Doria também declarou que é contra qualquer mudança na legislação que impeça que um político eleito para um cargo tenha o direito de abdicar de sua função para postular outro, em uma nova eleição, antes do fim do mandato. 

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Ao falar de seu padrinho político, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), Doria disse que não vai engolir seu criador, "tenho alta estima pelo governador Alckmin". E refutou que possa haver fissura ou afastamento nessa relação. "Tem muita água pela frente ainda. Geraldo Alckmin é um nome importante, um bom nome. Está evoluindo bem. De São Paulo sairemos unidos. São Paulo não vai dividir, mas unir o PSDB", disse.

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Corrupção. No fórum, Doria disse não ser correto associar seu partido com a corrupção, por causa "do problema" com o senador tucano e ex-presidente nacional do PSDB Aécio Neves (MG). "Sou PSDB e continuarei sendo PSDB, não o comparem com o PT", criticou, reiterando que Lula, José Dirceu e Gleisi Hoffmann não são parâmetros de honestidade. E avaliou que se for comprovado que Aécio cometeu algum crime, "ele terá de responder por isso, pois o seu partido não é seletivo".

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Indagado a respeito do fim do foro privilegiado para políticos, Doria disse que é a favor do foro, mas com mecanismos de defesa equilibrados. "A lei tem de ser cumprida em todas as circunstâncias para quem cometeu delitos", ponderando que em casos de crime com flagrante, não deveria haver foro privilegiado.

Na entrevista, Doria reclamou "dos ataques contínuos sofridos por quem está num cargo público" e convidou àqueles que o criticam a visitarem a cidade com ele. Apesar da afirmação, criticou seu antecessor, o petista Fernando Haddad, dizendo que sua gestão superestimou receitas e subestimou dívidas. "A gestão Haddad deixou dívida de R$ 7,5 bi para a minha gestão." Ele disse que os estoques de remédios estavam zerados, que as últimas obras de recapeamento foram feitas na gestão Gilberto Kassab e que há dois anos não se fazia manutenção em semáforos. E citou feitos de sua administração, dizendo, por exemplo, que realizou importante programa na área da saúde.

O tucano rebateu no evento as críticas à área da mobilidade na Capital, justificando que a cidade tem uma frota de 8 bilhões de veículos, uma das maiores do mundo em núcleo urbano e que a questão do trânsito demanda mais consciência da população. "Solução seria o uso do transporte coletivo e compartilhado e mais obras, mas nem o País e nem a cidade têm condições de fazer mais obras." E continuou: "Nova geração não tem mais como sonho ter carro, já aderiu aos aplicativos."

Ele refutou ainda que sua gestão não dá a devida atenção à periferia, conforme prometido na campanha municipal do ano passado. "As zonas Sul, Norte e Leste são nossa prioridade.

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