Questão cria controvérsia também entre economistas

Além de gerar opiniões opostas no governo e na oposição, a entrada da Venezuela no Mercosul também divide especialistas. Para o professor de Economia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) Pedro da Silva Barros, integrante do Núcleo de Análise de Conjuntura Internacional da instituição, tanto o Brasil como o bloco sairão fortalecidos, nos aspectos político e econômico. Já o consultor e professor de Economia da Universidade de São Paulo Roberto Macedo argumenta que a questão política na Venezuela tende a criar um clima "pesado demais" e seria prejudicial ao bloco como um todo neste momento.Para Barros, a convivência com democracias consolidadas como Brasil e Argentina será benéfica para as instituições venezuelanas. Ao mesmo tempo, avalia, a inserção evitará o isolamento daquele país, fazendo com que o Brasil e a Argentina tenham mais força política política para conter os arroubos verbais de Chávez, principalmente contra os Estados Unidos."A convivência com instituições avançadas democraticamente será salutar e trará benefícios concretos àquele país. A entrada no Mercosul evitará que Chávez tome decisões unilaterais e fará com que ele consulte os parceiros do bloco. Uma recusa conduzirá a Venezuela ao isolamento na região", diz. Ele destaca ainda que o Brasil terá vantagem econômica com a integração. "Em 2003, o comércio entre os países era da ordem de US$ 800 milhões, ante US$ 5 bilhões no ano passado. E o Brasil é superavitário."Macedo, contudo, considera que o ideal neste momento seria o Brasil manter acordos bilaterais com a Venezuela e não endossar seu ingresso no bloco. "Pelo menos até que as coisas fiquem mais claras do ponto de vista político. A entrada no bloco neste momento criaria um clima pesado demais", avalia. "O correto seria deixar a Venezuela um pouco de molho."

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