'Quero uma base que não seja baseada em favores', diz Marina

Candidata do PV afirmou que é possível governar o País sem a política de troca de favores

Daiene Cardoso, Agência Estado

29 Julho 2010 | 13h02

SÃO PAULO - Em entrevista à Rádio Auri-Verde de Bauru, interior de São Paulo, a candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, disse nesta quinta-feira, 29, que é possível governar o País sem a política de troca de favores. "Se a gente continuar nutrindo essa mentalidade, isso nunca vai acabar", afirmou a candidata, que pertence a uma chapa sem alianças.

 

Se eleita, Marina diz que vai trabalhar com disposição de diálogo para convencer o Congresso de Nacional aprovar seus projetos. "Quero uma base (política) que não seja baseada em favores e fisiologismo", completou. Para Marina, há parlamentares desprovidos de interesses pessoais e citou como exemplos os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Pedro Simon (PMDB-RS), e a vereadora de Maceió e ex-senadora Heloísa Helena (PSOL). "Eu mesma sempre votei naquilo que eu tenho convicção."

 

Ao comentar as recentes pesquisas de intenção de voto, Marina disse estar satisfeita com os números, uma vez que o tucano "(José)Serra tem sua candidatura posta desde que perdeu as eleições" (referindo-se à eleição presidencial de 2002) e a petista Dilma (Rousseff), "o presidente Lula tem falado nela há quase três anos".

 

Boca a boca. A candidata do PV afirmou que conta apenas com a mobilização espontânea dos simpatizantes de suas propostas e fez um apelo para que os eleitores acabem com as velhas tradições da política brasileira. "Os meus concorrentes, se chegarem lá, vão achar que ganharam por causa das alianças que têm, pelo poder econômico que têm, pelas estruturas que têm", reforçou. "Se eu ganhar, só terá um segmento responsável pela minha vitória: o povo brasileiro", emendou.

 

Na entrevista, Marina destacou sua origem humilde e disse ter conhecido o pior e o melhor da educação e da saúde no Brasil. A candidata repetiu a tese de que é chegado o momento de o País ter uma mulher na liderança do governo federal. "Uma mulher na Presidência da República, que conhece com profundidade a vida de seu povo, será capaz de respeitar os avanços na política econômica, na política social - mantendo inclusive o Bolsa Família - e encarar os novos desafios", defendeu.

 

Nova direção. Na semana em que lançou a segunda versão de suas diretrizes de governo, desta vez com enfoque na segurança, Marina Silva voltou a questionar a falta de investimentos no setor e o baixo salário dos policiais em São Paulo e Rio de Janeiro. "Se a gente olhar para São Paulo, um dos Estados mais ricos da Federação, como é que a gente vai combater a violência e o tráfico de drogas com o policial recebendo um dos piores salários do País?", questionou em uma alfinetada ao governo de São Paulo que é comandado pelo PSDB.

 

De acordo com a candidata, assim como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixará sua marca na área social e Fernando Henrique Cardoso se destacou na área econômica, ela quer ser lembrada pelo seu esforço nas áreas de saúde, educação, segurança e meio ambiente.

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