"Quero saber a cara de quem o PT vai enfrentar", diz Lula

"Quero que o governo escolha logo seu candidato à presidência da República porque é preciso saber a cara de quem o PT vai enfrentar." A afirmação foi feita hoje pelo presidente de honra do partido e pré-candidato a presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, em Santo André, na Grande São Paulo, onde participou do seminário Projeto Fome Zero, coordenado por ele e elaborado por professores da Unicamp.Ao reafirmar que ainda não é candidato, Lula disse que o PT não precisa ter pressa para identificar o nome - o partido escolheu março como a data ideal para que a candidatura seja definido. "Nesse mês, a candidatura de todos os outros partidos estará definida e as alianças, fechadas. Já saberemos como o cenário estará", avaliou.Envagélicos e árabesApesar da declaração, Lula tem participado de reuniões e palestras em diferentes locais e com setores diversos para expor os programas do PT. Hoje, ele esteve reunido com 63 empresários e bispos da Igreja Evangélica, em Mato Grosso do Sul. "Eles queriam me conhecer e nós discutimos várias questões. Eu pedi o envolvimento dos empresários e dos evangélicos na batalha contra a fome", disse o petista.Nesta quinta-feira, ele jantará em um restaurante de São Bernardo do Campo, também no ABC, com empresários da comunidade árabe. Lula negou que o tema do encontro seja campanha política ou os ataques terroristas que ocorreram nos Estados Unidos na semana passada . "A reunião já estava marcada antes deste episódio", disse.O mineiro DirceuQuanto à recente votação para presidente nacional da agremiação, Lula disse que o presidente reeleito, deputado José Dirceu (SP), é o ponto de equilíbrio mais importante na relação com outros partidos. "Ele é a representação de programas que devem ser cumpridos pelo PT e da possibilidade de aliança com outros partidos. Qualquer que seja o candidato do partido para a eleição presidencial, terá a garantia de que a campanha vai ser transparente com a direção de Dirceu", considera o presidente de honra.Segundo Lula, em nenhum momento, ele teve dúvidas de que Dirceu ganharia as eleições internas no primeiro turno. "Além de inteligente, ele é mineiro, e o que mineiro mais sabe fazer é política", brincou.O petista disse que a tecnologia é boa para quem sabe a usar, referindo-se às dificuldades enfrentadas pela sigla nas eleições eletrônicas. "Pagamos um mico; não adianta tentar esconder. Só conseguimos fazer mais bonito que as eleições americanas. Já sabemos que vamos ser alvo de gozação de vocês (jornalistas) pelos próximos três anos", disse Lula.PrefeiturasO presidente de honra do PT disse hoje, no seminário Projeto Fome Zero, que o programa não deverá ser uma tarefa específica do governo federal. "Este trabalho deverá ser levado, principalmente, pelas prefeituras porque os problemas são detectados nos municípios", argumentou.Ele pretende reunir os 198 prefeitos do partido no País, assim como líderes sindicais, igrejas, entidades internacionais e organizações não-governamentais (ONGs) no lançamento oficial do projeto, marcado para 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação, em Brasília. "O projeto só terá sucesso se a sociedade o assumir como uma tarefa prioritária. Caso contrário, tende a ficar no papel", considerou.Dormir sem fomeLula afirmou que, após o lançamento da política de combate à fome no Brasil, cada prefeito da legenda terá a obrigação de dizer que ninguém da cidade que administra foi dormir com fome em nenhum dia do ano. "É papel das prefeituras, apesar de eu não saber se elas têm condição para isso, ter estatísticas fiéis sobre a realidade da fome em seu município", afirmou.Ele ressaltou que, se as prefeituras encontrarem dificuldades para detectar os cidadãos com dificuldades para se alimentarem, é preciso, no mínimo, estarem envolvidas na elaboração e, sobretudo, na execução do projeto. "Precisamos fazer nossa parte, até para podermos pressionar os que estão inertes", disse Lula.Sem clientelismoLula voltou a insistir que a idéia não é a de doar alimentos para os necessitados. "Queremos garantir o direito de trabalhar e de viver às suas custas, sem ter de depender do governo", afirmou.Ele afirmou também que, na redação final, o projeto terá de enfatizar o compromisso da família beneficiada em pôr as crianças na escola. "Sem educação, não podemos sonhar em construir uma nova sociedade em dez ou 15 anos", defendeu.

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