Sérgio Lima/AFP
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Querem fazer minha intriga com Ramos, mas não vão conseguir, diz Fábio Faria

Ministro das Comunicações disse ter assumido o papel de apaziguar conflitos na relação do Planalto com o Legislativo

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2020 | 16h58

BRASÍLIA - No momento em que o Palácio do Planalto tenta reorganizar sua articulação política no Congresso, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, disse ter assumido o papel de apaziguar conflitos na relação com o Legislativo, mesmo se for preciso “lavar roupa suja”.

Em entrevista ao programa Poder em Foco, do SBT, Faria negou a existência de uma queda de braço entre ele e o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, a quem cabe comandar as negociações com o Congresso, e disse não entrar na seara do general.

 "Ele (Ramos) tem conversado comigo diariamente. Querem fazer até minha intriga com ele, mas não vão conseguir, porque todo dia eu falo com ele às sete horas da manhã. E a gente já desmonta isso", afirmou Faria. A entrevista ao jornalista Fernando Rodrigues vai ao ar no próximo domingo, 26.

Como o Estadão publicou, o governo vai reorganizar sua articulação no Congresso após a derrota na votação da proposta de emenda à Constituição que transformou o Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) em programa permanente. O revés sofrido na Câmara foi debitado na conta do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Com bom trânsito no Congresso, Faria promoveu recentemente um encontro entre Guedes e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já que havia um estresse na relação entre os dois. Escolhido para o ministério após quatro mandatos de deputado federal, o titular das Comunicações negou que esteja exercendo o papel que cabe a Ramos, de negociar a votação de projetos e emendas parlamentares, mas admitiu ter entrado em campo para consertar pontes rachadas, como entre Guedes e Maia.

Foi nesse momento que ele classificou o seu trabalho como o de “lavar roupa suja". “Eu não entro na articulação política. Por quê? A articulação política é o seguinte: vamos votar aqui o projeto tal. Aí negocia emenda, destaque, vê quem vai ser o relator. Isso é um trabalho da articulação política. O meu trabalho é quando eu vejo: ‘Fernando está chateado com Fábio’. Eu sou amigo do Fernando e vou promover ali um encontro dos dois para fazerem uma DR (sigla usada para se referir a “discutir a relação”), lavar roupa suja e pronto", argumentou. E concluiu: "Esse é o meu papel! Um papel de apaziguar relação. Não entro na seara exclusiva de articulação política. Isso aí é outra forçação de intriga que é normal no governo, comum. Mas não cairemos nisso”.

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