Quércia reúne PMDB hoje para anunciar apoio a Kassab

Aliados de Alckmin e petistas responsabilizam Serra por manobra pró-DEM

Clarissa Oliveira, Eduardo Reina e Silvia Amorim, O Estadao de S.Paulo

24 de abril de 2008 | 00h00

Após meses de negociação para a eleição em São Paulo, o ex-governador Orestes Quércia leva hoje à Executiva Estadual do PMDB a proposta de endossar a candidatura do prefeito Gilberto Kassab (DEM) à reeleição. A reunião, prevista inicialmente para ontem, foi remarcada para que Kassab participe em seguida de confraternização com lideranças do PMDB. "Chegamos à conclusão de que, no que se refere ao interesse do partido, o Kassab era a melhor opção", disse Quércia, que há poucas semanas sinalizava que fecharia com o PT da ministra do Turismo, Marta Suplicy.O acerto tira do jogo a sigla mais cortejada na sucessão em São Paulo, dona de um tempo no rádio e na TV de cerca de quatro minutos diários. Quércia obteve a garantia de que o DEM deixará de ter candidato ao Senado em 2010 para apoiá-lo. Principal nome do DEM para a vaga, Guilherme Afif Domingos abriu mão da disputa. Ficou acertado ainda que Quércia não se oporá à entrada do PSDB na aliança, cedendo a vice na chapa, caso os tucanos a reivindiquem. "Seria ótimo. Podemos conciliar as coisas para 2010." Se o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) for candidato, a vice fica com a engenheira Alda Marco Antônio. Ontem, Kassab confirmou a aliança, mas, depois, disse que não passava de expectativa. "Meu esforço continua sendo no sentido de buscar com toda a energia possível a manutenção da nossa aliança com o PSDB e, agora, de uma maneira bastante otimista porque está se incorporando a essa aliança, se ela for mantida, o PMDB", afirmou. "Estou dizendo da minha expectativa", consertou. O prefeito também recebeu em seu gabinete representantes do PTB, PPS, PV e PSB, além do PMDB. Informou que lança sua candidatura até sexta-feira, antes de o PSDB tomar posição sobre a candidatura Alckmin. O objetivo, dizem aliados, é fazer uma "operação-abafa" e não deixar espaço para o tucano. Ontem, o PSDB debitava acordo DEM-PMDB na conta do governador tucano José Serra. A mesma tese circulava entre petistas, que no fim da tarde ainda tentavam, sem sucesso, retomar a negociação com Quércia. O objetivo era reforçar a garantia de que o partido o apoiaria para o Senado em 2010, sem oposição do senador Aloizio Mercadante, candidato natural a outro mandato na Casa. A manifestação, entretanto, foi tardia e não convenceu Quércia. O ex-governador avaliou que correria o risco de o PT recuar na véspera da eleição. Surpresa com o acordo, a direção do PT diz que agora dará continuidade às negociações com outros partidos da base, em especial PR , PSB, PC do B. "O PT não vai se mover pelas ações políticas do DEM e do PSDB", disse o presidentedo PT em São Paulo, Edinho Silva.

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