Quércia espera pré-convenção para responder ao PT

Um dia depois de oficializada a pré-candidatura de Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo, o PT paulista já saiu nesta terça-feira em busca da costura de alianças no Estado. O primeiro partido procurado foi o PMDB, do ex-governador Orestes Quércia, que confirmou o que os petistas esperavam: a negociação entre as duas legendas não será nada fácil. Em conversa pelo telefone com o presidente estadual do PT, Paulo Frateschi, Quércia disse que vai aguardar a pré-convenção do partido, marcada para sábado, e na qual provavelmente será descartada a candidatura própria do PMDB à Presidência."Nós vamos respeitar o dia 13 (data da pré-convenção peemedebista), mas já deixamos claro o nosso interesse em fechar com o PMDB", anotou Frateschi, que reconheceu que o PT terá "de suar a camisa" para conseguir fechar acordo com o PMDB em São Paulo. Apesar de admitir que a costura não será fácil, Frateschi acredita que o PT tem mais chances do que o PSDB de José Serra de ter o PMDB como aliado.O ex-governador e presidente do PMDB em São Paulo voltou a repetir que as alianças nos Estados dependem da definição do PMDB nacional. Quércia reforçou que só disputará o governo paulista se Itamar Franco for escolhido candidato do PMDB à sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva.O peemedebista, porém, segundo a Agência Estado apurou, teria ficado interessado na proposta feita pelo governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL). Nesta segunda-feira, em almoço com Quércia e Itamar em São Paulo, Lembo ofereceu ao ex-governador a vaga para o Senado na chapa de Serra para a disputa do Palácio dos Bandeirantes.Depois da corte ao PMDB, o PT deve procurar, até o final da semana, o PSB e o PV. Por enquanto, o partido tem segurança apenas no apoio do PCdoB. Os petistas acreditam, também, na adesão do PL e de um outro partido nanico. Até esta segunda-feira, o PT paulista considerava pouco provável a aliança com o PSB em São Paulo. Hoje, o presidente da legenda no Estado demonstrou mais animação. "Houve uma melhora na esfera nacional. Se der certo, vamos no vácuo", comentou Frateschi.Enquanto de um lado o PT procurou não perder tempo - e 24 horas depois da escolha de Mercadante a direção do partido já foi cortejar possíveis aliados -, na outra ponta o partido viveu um dia de crise em São Paulo. Motivo: o apelo que o presidente do PT, Ricardo Berzoini, fizera para que a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy - que perdeu as prévias para Mercadante - seja candidata a deputada federal.A atitude de Berzoini irritou o grupo político da ex-prefeita e já ameaça a reunificação de sua equipe em torno da candidatura de Mercadante. Um dos interlocutores de Marta, Valdemir Garreta, advertiu que Berzoini não fala sobre o assunto em nome do PT. "Se o filiado Berzoini quer ajudar o Mercadante, a melhor coisa que ele tem a fazer é calar a boca sobre isso." O presidente do PT descartou qualquer imposição e disse ter falado com Marta "de modo carinhoso". Esgotado, Frateschi desabafou: "Nós da direção do partido não vamos mais tocar no assunto pelo bem da nossa saúde física e mental."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.