Quércia abre cafeteria em SP e compra torrefadora em NY

A partir de junho, será possível tomar um cafezinho com o ex-governador Orestes Quércia, presidente regional do PMDB. Ou pelo menos freqüentar a nova cafeteria capitaneada por ele em São Paulo, batizada de Octavio, nome de seu pai. A moderna construção está em andamento na Avenida Faria Lima, uma das regiões comercias mais valorizadas da cidade, em um terreno de 1.600 metros quadrados com direito a dois subsolos de garagem. Além da cafeteria, o lugar terá escola para formar especialistas no ramo. Quércia, mais conhecido pela atuação na política, é também um especialista em café. Maior produtor do Estado de São Paulo, sua fazenda em Pedregulho (no oeste) tem 5 milhões de pés em 1.300 hectares plantados e emprega 400 pessoas. Produz 25 mil sacas por ano e quer chegar a 40 mil no ano que vem. Na semana passada, ele fechou mais um negócio no ramo. Adquiriu a torrefadora Dallis Coffee, sediada em Nova York, após dez meses de negociação. A empresa, de 94 anos, é especializada em cafés especiais, ou premium, o mesmo produzido por Quércia no interior paulista. O valor da compra ele não revela, mas relata que a torrefadora fatura US$ 8 milhões por ano. "A minha família sempre cultivou café. Meu bisavô, que era arquiteto na Itália, veio para o Brasil e tinha uma área pequena. Meu avô e meu pai progrediram mais", conta Quércia, ao receber a Reuters em seu escritório no Centro Empresarial de São Paulo, complexo de seis edifícios do qual detém 30%. Conversa de produtorQuércia, de 68 anos, assumiu a fazenda há quase quatro anos, depois da morte de seu pai, Octavio Quércia. Agora, já fala com postura de produtor. "Se há um problema com o café é o dólar baixo", julga, alegando, como todo exportador, que a valorização do real reduz a competitividade do produto nacional no exterior. Hoje, a fazenda tem certificações internacionais, como a da ONG Rainforest Alliance, que faz inúmeras exigências - desde o tratamento aos empregados até a quantidade de mata na área - para atestar que o local segue normas ambientais. O ex-governador evita falar em cifras, mesmo assim contou que o investimento na estrutura de modernização da fazenda foi de R$ 6 milhões e, na loja, apenas a construção sem contar o terreno, atingiu R$ 3 milhões. O terreno é outra história. Quércia conta que tinha a parte de trás da área e levou oito anos para comprar a frente, período em que teve que convencer um senhor idoso sobre a venda. Onde poderia lucrar com a construção de um edifício de escritórios, preferiu a loja. Expandir o negócio"Apesar de meu negócio principal ser o imobiliário", declara. Ainda assim, diz que quer levar a cafeteria para Brasília, Ribeirão Preto, Campinas e até Nova York. Além do café e do mercado imobiliário, ele também atua na área de mídia (jornal DCI, rádios como a Nova Brasil FM, emissoras de TV em Campinas e Santos, retransmissoras do SBT) e tem o hotel Jaraguá. Político há 44 anos, Quércia diz que não sabe qual atividade prefere, a de homem público ou a de empresário. "Pendo mais para o negócio, mas meu coração balança", afirma, mantendo o sotaque interiorano de quem nasceu em Igaçaba e viveu muito tempo em Campinas, onde foi prefeito. Quércia foi ainda governador de São Paulo (1987-1991), senador, deputado estadual e vereador. Fez algumas tentativas eleitorais sem sucesso, como no ano passado, quando tentou voltar ao governo de São Paulo. O peemedebista histórico recebeu inúmeras denúncias de corrupção relativas à sua gestão no Estado. As mais conhecidas foram a acusação de contratação de pessoal em empresa ligada ao Banespa e a importação de equipamentos de Israel. "Foi tudo coisa política. Nenhum processo deu em nada", diz ele, contando que as denúncias tiveram origem no PT, sigla que agora é aliada do PMDB.

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