Dida Sampaio e Sérgio Castro/ Estadão
Dida Sampaio e Sérgio Castro/ Estadão
Imagem Eliane Cantanhêde
Colunista
Eliane Cantanhêde
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Quem vence em Minas ganha a Presidência; Zema está com Bolsonaro, Kalil, com Lula

A polarização PT x PSDB evaporou e os ex-governadores Fernando Pimentel, petista, e Aécio Neves, tucano, vão disputar a Câmara dos Deputados, e olhe lá

Eliane Cantanhêde*, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2022 | 03h00

Com 15,7 milhões de eleitores, 11% do total, Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do País, só atrás de São Paulo e reza a lenda, como confirma a realidade, que só chega a presidente da República quem vence nas Gerais. As coisas vêm mudando muito também por lá.

A polarização PT x PSDB evaporou e os ex-governadores Fernando Pimentel, petista, e Aécio Neves, tucano, vão disputar a Câmara dos Deputados, e olhe lá. A bola está com o governador Romeu Zema, do Novo, e o agora ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, do PSD.

Com estilo, trejeitos e até sotaque fortemente mineiros, Zema concorre à reeleição agarrado ao presidente Jair Bolsonaro. Também outsider na política, mas durão, direto e objetivo, Kalil se ancora em Lula, hoje favorito também no Estado.

Ao sair da Prefeitura na sexta-feira, dia em que ele e o Atlético (que o alavancou para a política) fizeram aniversário, Kalil, de 63, replicou Lula. “Eu preciso dele e ele de mim”, dissera o petista. “Concordo, mas eu preciso mais dele do que ele de mim”, ecoou o agora candidato.

Em 2014, a surpresa foi a derrota de Aécio para presidente no seu Estado. Em 2018, Bolsonaro teve 58,2% contra 41,8% de Fernando Haddad. Hoje, as pesquisas dão 15 pontos de vantagem para Zema, mas só agora Kalil vai “botar o pé na rua” e montar o palanque: “O (Gilberto) Kassab me deu carta branca.”

Todo cuidado com as pesquisas, não por elas, mas pelos pesquisados. Eleitor mineiro pensa uma coisa, diz outra e decide o voto cara a cara com a urna. (Lembram do Dr. Tancredo?). Em 2018, o “imbatível” ao Palácio da Liberdade era Antônio Anastasia, então PSDB, hoje PSD e no TCU, que passara pelo governo com louvor. Deu o neófito Zema. Dilma Rousseff, favorita para o Senado, acabou em quarto lugar.

Assim como no País, o foco em Minas serão economia e pandemia. O déficit já era grande, ficou enorme. E, na pandemia, com Zema em cima do muro, Kalil foi Kalil: mandou brasa no isolamento social, vacinas e obrigatoriedade de máscara. “Eu não ia matar ninguém por cálculo político, ouvi os médicos”, diz, num estado industrial e conservador. E nunca foi recebido por Bolsonaro.

SP, MG e RJ somam 50 milhões de votos, 40% do total. O PT tem resistência histórica entre os paulistas e perdeu a vantagem entre cariocas e mineiros em 2018. Logo, o Kalula, ou o Lulil em Minas é caso sério para o PT, Kalil e PSD, que alavanca seu crescimento com a ruína do PT e do PSDB em Rio e MG, onde tinha as prefeituras das duas capitais. Logo, atenção a Minas. Mineiro trabalha em silêncio e esconde o jogo, mas o placar nacional depende de lá.

*COMENTARISTA DA RÁDIO ELDORADO, DA RÁDIO JORNAL (PE) E DO TELEJORNAL GLOBONEWS EM PAUTA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.