Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

'Quem sofre a crise não quer dar golpe, quer se livrar da crise', diz FHC em resposta a Dilma

Ex-presidente rebate fala de petista, segundo quem, 'usar crise como mecanismo para chegar ao poder é versão moderna de golpe'

Pedro Venceslau e Letícia Sorg, O Estado de S. Paulo

16 de setembro de 2015 | 19h51

Atualizado às 20h41

São Paulo - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso respondeu nesta quarta-feira, 16, a fala da presidente Dilma Rousseff em um evento no interior de São Paulo na qual ela disse que usar a crise pela qual o país passa para chegar ao poder é uma "versão moderna do golpe".

"Quem sofre a crise não quer dar golpe, quer se livrar da crise. Na medida em que o governo faz parte da crise, começam a perguntar se [o governo] vai durar. Mas não é golpe", disse o tucano aos jornalistas antes de participar de um evento na capital paulista.

O ex-presidente participou na tarde desta quarta-feira de um debate com os jornalistas Ricardo Gandour, diretor de conteúdo do Grupo Estado, e Eliane Cantanhêde, colunista do jornal, em uma livraria em São Paulo, onde ele lançou o livro "A miséria política - crônicas do lulopetismo e outros escritos".

Durante a palestra, o tema impeachment voltou ao ser mencionado. "Em tese você precisa ter muito cuidado com o impeachment por causa da democracia. Mas se acontecer tal e tal coisa, aí não tem jeito. Têm vários processos em andamento no TCU e TSE. Vamos ver no que isso vai dar".

FHC lembrou que, durante o processe de impeachment contra o presidente Fernando Collor de Mello, em 1992, ele e outras lideranças como Ulysses Guimarães estavam reticentes em aderir ao movimento até que Pedro Collor, irmão do presidente, deu uma entrevista à revista Veja afirmando que  PC Farias, ex-tesoureiro da campanha de Collor, era "testa-de-ferro" do presidente e possuía grande influência nas decisões tomadas no governo . "Aí era um fato. Não há o que fazer", completou.

O ex-presidente também ressaltou que o impeachment é não uma questão "penal".  "A pessoa que sofre impeachment não sofre mais nada. Vai para a casa. Não foi acusado de ser ladrão ou criminoso, mas de ser irresponsável politicamente".

Ao falar sobre a Operação Lava Jato e seus reflexos na cena política, FHC  voltou a ser cauteloso ao falar sobre a possibilidade de impedimento da presidente. "Eu tenho dito ao PSDB e a quem queira ouvir: vai devagar que eu não sei quem vai estar em pé. Estamos sentindo isso no Congresso. Quem vai ter poder real depois da Lava Jato?".

Questionado sobre o que teme ao pedir que seu partido vá devagar, FHC fez uma referência aos políticos citados no esquema de corrupção da Petrobrás. "Eu Temo que façam alianças precipitadas com gente que  vai ser expurgada", afirmou.

Segundo FHC, se houver um impeachment, o Brasil vai clamar por união e será difícil para os partidos não atender esse apelo. Ele evitou, contudo, apontar quem lideraria esse processo.

"Não sei quem é que vai ser capaz de ter um discurso compatível com o momento, mas espero que seja a oposição", disse, ressaltando que o novo discurso político precisa unir o social com o econômico e o político.

Ao comentar sua amizade com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), FHC contou que foi "de propósito" com ele a ópera com intuito de demonstrar que é preciso manter um sentimento democrático.

"politicamente é importante abrir espaço para diálogo".

Sobre a possibilidade de abrir um diálogo com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, FHC afirmou que é cauteloso. "Deixa passar a Lava Jato".

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