Helvio Romero / Estadão
Helvio Romero / Estadão

Quem são os presos suspeitos de hackear celular de Moro e outras autoridades

Supostos hackers são de Araraquara, interior de São Paulo; DJ e homem conhecido como 'Vermelho' já foram detidos por falsidade ideológica e estelionato

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2019 | 18h41

A Polícia Federal prendeu na terça-feira, 23, quatro suspeitos de invadir os telefones celulares de autoridades, incluindo o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o procurador da República e coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato no Paraná, Deltan Dallagnol.

Os agentes federais cumpriram os mandados de prisão temporária e de busca e apreensão em São Paulo, Araraquara e Ribeirão Preto. Foram presos um homem e uma mulher na capital paulista e outros dois homens nas cidades do interior. Saiba quem são:

Walter Delgatti Neto

Conhecido como “Vermelho”, tem 30 anos e, segundo informações da Justiça Eleitoral, é filiado ao DEM de Araraquara desde 2007. Foi preso, em 2015, por falsidade ideológica ao apresentar uma carteira vermelha alegando ser delegado da Polícia Civil após um furto de celular no parque Beto Carrero World, em Itajaí (SC). Ele também portava em seu carro arma e munições. Foi novamente preso em 2017, dessa vez por tráfico de drogas e falsificação de documentos. Na ocasião, a polícia apreendeu em seu apartamento em Araraquara medicamentos de venda proibida e uma carteirinha de estudante da USP falsa. Foi absolvido pela Justiça na acusação de tráfico em um primeiro momento, mas foi condenado pelo TJ pelo crime por ser reincidente. Ele já havia sido condenado pela falsificação do documento.

Delgatti também foi condenado em 2015 a um ano em regime aberto por ter utilizado o cartão de crédito de um idoso para pagar sua estadia em um hotel em Piracicaba, no interior de São Paulo. O suposto hacker também foi condenado em 2018 por estelionato, por ter utilizado um cartão bancário furtado de um escritório de advocacia.

Em sua conta no Twitter, fazia críticas ao presidente Jair Bolsonaro e a Sérgio Moro, e chegou a responder a uma postagem do procurador Deltan Dallagnol, dando uma “sugestão” de como confirmar a autenticidade das mensagens vazadas. “Mesmo apagando tudo, os caches ficam no celular, eles são arquivos fragmentados, sem o conteúdo das mensagens, mas com todas saídas e entradas de mensagens", afirmou. 

Gustavo Henrique Elias Santos

Tem 28 anos e mora em Araraquara. É DJ, conhecido como Guto Dubra, e trabalha com shows e eventos, segundo os investigadores. Em 2013, foi preso por receptar uma caminhonete Hilux com placas e documentos adulterados e teve apreendidas em sua casa munições e armas falsas. Em 2015, foi condenado a seis anos e seis meses no caso pela Justiça de São Paulo em regime semiaberto, mas permaneceu solto após recurso da defesa. Nesse mesmo ano, foi detido junto com Walter Delgatti no parque Beto Carrero World, em Santa Catarina, mas somente prestou depoimento e foi liberado.

Seu advogado, Ariovaldo Moreira, afirma que desconhece o envolvimento de Gustavo em atividades hackers. Foi preso em São Paulo, junto com a esposa Suelen. Teve uma movimentação de R$ 424 mil entre 18 de abril e 29 de junho de 2018 em sua conta no Banco Original, com uma renda mensal de R$ 2866. Gustavo afirmou aos investigadores que viu as mensagens das autoridades hackeadas no celular de Walter Delgatti Neto, que é seu amigo. Segundo o portal A Cidade On, de Araraquara, sua família mora em um bairro de periferia da cidade.

Suelen Priscila de Oliveira

Namorada de Gustavo, tem 25 anos e não tinha passagem pela polícia. Segundo o advogado, tem conhecimento “razoável” de informática e trabalha com criptomoedas. Foi presa junto com Gustavo em São Paulo. Ela também estava presente no episódio ocorrido no parque Beto Carrero, em Santa Catarina, pelo qual Walter Delgatti foi preso ao tentar se passar por delegado da Polícia Civil. Ela prestou depoimento junto com o marido Gustavo e foi liberada.

Segundo a investigação da Polícia Federal sobre o ataque hacker, Suelen movimentou, entre 7 de março e 29 de maio de 2019, uma renda mensal de R$2192. Os agentes encontraram R$ 100 mil em espécie no apartamento do casal na zona sul de São Paulo.  

Danilo Cristiano Marques

O homem de 33 anos foi preso em Araraquara. Segundo o portal A Cidade ON, de Araraquara, é amigo de Delgatti e já foi testemunha dele em dois processos. Morava no Jardim Paineiras, em Araraquara.

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