Marcos Correa/PR
Marcos Correa/PR

Quem são autores dos pedidos de impeachment de Bolsonaro

41 dos 61 requerimentos enviados à Câmara são assinados por pessoas comuns; advogado, jornalista, médico, professor, servidor público e pizzaiolo são algumas das ocupações dos autores dos documentos que pedem o afastamento do presidente

Alessandra Monnerat, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2021 | 15h42

Qualquer cidadão pode protocolar pedidos de impeachment, e 41 dos 61 requerimentos enviados à Câmara dos Deputados são assinados por pessoas comuns. Advogado, jornalista, médico, professor, servidor público, pizzaiolo e eletricista são algumas das ocupações dos autores dos documentos que pedem o afastamento do presidente Jair Bolsonaro, de acordo com levantamento da Agência Pública.

A família da economista Neide Liamar de Souza pediu o impeachment do chefe do Executivo quatro vezes. Em março, ela, a mãe, Maria Rodrigues, e o irmão Luiz Rabelo protocolaram um pedido cada; em maio, enviaram novo documento à Câmara dos Deputados. A família mencionou o fato de Bolsonaro gerar aglomerações durante a pandemia de covid-19 e mostrar desprezo pela doença em seu requerimento.

Já o sindicalista Valdir Barbosa de Medeiros apresentou três protocolos à Câmara dos Deputados – ele citou a suposta interferência de Bolsonaro na Polícia Federal como justificativa para afastar o presidente. Após ser demitido, o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro afirmou que Bolsonaro queria trocar o comando da PF para beneficiar sua família.

O pedido mais antigo ainda em análise é da advogada e artista plástica Diva Maria dos Santos. Ela pediu o afastamento do presidente em 13 de março de 2019, após ele publicar um vídeo no Twitter de “golden shower”, em que dois homens aparecem em atos obscenos no carnaval. A lei do impeachment define quebra de decoro como um crime de responsabilidade.

Ao menos três pedidos de impeachment foram escritos à mão: dois dos detentos João Pedro Bória e Lauro Chamma, e um de Antonio Jocelio da Rocha. Este último foi o primeiro a protocolar um requerimento para afastar o presidente, em 27 de fevereiro de 2019. O documento foi arquivado por ser “apócrifo”.

Artistas e personalidades também se juntaram ao coro de pessoas que pedem a saída de Bolsonaro; entre eles, o rapper Emicida, o cantor e escritor Chico Buarque, o cineasta Fernando Meirelles, a atriz Dira Paes, o comentarista Walter Casagrande e o religioso Frei Betto.

Políticos e partidos são responsáveis pelos outros 20 protocolos de impeachment de Bolsonaro. A primeira legenda a demandar o afastamento do presidente foi o PDT. Em 20 de março de 2020, a sigla mencionou como motivação do pedido: a participação em manifestações antidemocráticas; a acusação -- sem provas – de fraudes eleitorais em 2018; as ofensas contra a jornalista Patrícia Campos Mello; a publicação do vídeo de “golden shower”; e a determinação de comemorar o Golpe Militar de 1964

No mês seguinte, em 29 de abril, o PSB se tornou o segundo partido a pedir o afastamento do presidente. Dessa vez, foram citadas a tentativa de interferir na PF e as aglomerações durante manifestações antidemocráticas. Em 21 de maio, novo protocolo foi feito por partidos: as legendas PT, PCdoB, PSOL, PSTU, PCB, PCO e UP assinaram um documento junto com centenas de organizações sociais e figuras públicas.

Ex-aliados também querem que Bolsonaro saia da Presidência. Entre eles, o deputado federal Alexandre Frota (PSDB-SP), que assinou três protocolos de impeachment. O parlamentar disse à Agência Pública que o presidente cometeu vários crimes de responsabilidade, mas considera o mais grave o incentivo e a participação em manifestações antidemocráticas. O grupo MBL e a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) são outros ex-defensores de Bolsonaro que pediram seu afastamento.

O primeiro parlamentar a requisitar o impeachment foi o deputado distrital Leandro Grass (Rede-DF), que assinou três documentos. O mais antigo deles, similar ao apresentado pelo PDT, foi enviado à Câmara dos Deputados em 17 de março de 2020, e foi motivado pela participação do presidente em atos contrários aos poderes Legislativo e Judiciário.

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