Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

'Quem ganhar, ganhou; quem perder, perdeu, diz Pepe Vargas sobre presidência da Câmara

Responsável pela articulação política de Dilma, ministro minimizou possibilidade de vitória de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e negou uso da máquina do governo na disputa

Vera Rosa e Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

28 de janeiro de 2015 | 21h18


Brasília - O ministro das Relações Institucionais, Pepe Vargas, garantiu nesta quarta-feira, 28, que o governo não está preocupado com a disputa entre duas alas do PMDB pelo comando do Senado. Responsável pela articulação política do Palácio do Planalto com o Congresso, Vargas também amenizou a perspectiva de vitória do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na eleição para a presidência da Câmara, no próximo domingo.

"Quem ganhar, ganhou; quem perder, perdeu", disse o ministro, que negou o uso da máquina do governo em benefício da candidatura do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). "A democracia é feita de disputas. É a administração do contraditório. Temos de tratar isso com naturalidade."

Informações obtidas pelo Estado, porém, indicam que o governo ficou surpreso com o lançamento da candidatura de Luiz Henrique (PMDB-SC) à presidência do Senado e vê com apreensão o racha no PMDB. Para o Palácio do Planalto, o melhor cenário é a reeleição de Renan Calheiros (PMDB-AL) no comando do Senado, mesmo com todos os problemas que rondam o aliado.

Estado - Como o governo viu a entrada, na última hora, de Luiz Henrique (PMDB-SC) na disputa pela presidência do Senado?

Pepe Vargas - A bancada do PMDB no Senado vai se reunir, discutir e tomar a sua decisão. O senador Luiz Henrique anunciou publicamente que pretende buscar a indicação de sua bancada e disse que sua decisão é irreversível.

Estado - Mas o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), é candidato à reeleição. Há um racha aí. O que é melhor para o governo?

Pepe Vargas - Por enquanto, estamos assistindo. Não tem como o governo intervir num processo desses. Primeiro, porque o PMDB no Senado ainda não tomou sua decisão. O problema de ter dois candidatos, se vier a existir, será da bancada do PMDB. Como vamos definir quem é o candidato do PMDB?

Estado - Ao que tudo indica, o governo vai ter um desafeto na presidência da Câmara, uma vez que até aliados dão como certa a vitória do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Como conviver com essa situação?

Pepe Vargas - Não vemos Eduardo Cunha como desafeto do governo. Não se trata de considerá-lo desta forma. É um deputado que tem opiniões, é obstinado nos assuntos que considera relevantes. Não há ausência de diálogo com ele. Às vezes existem divergências, mas isso é natural. Todos os quatro candidatos (Eduardo Cunha, do PMDB; Arlindo Chinaglia, do PT; Júlio Delgado, do PSB, e Chico Alencar, do PSOL) merecem respeito.

Estado - Nos bastidores, o comentário é que o governo tem oferecido cargos e emendas em troca de apoio ao petista Arlindo Chinaglia...

Pepe Vargas - Nós montamos uma equipe ministerial e decidimos não mexer no segundo e terceiro escalões, antes do fim dessa disputa, para deixar claro que o governo não está usando a máquina a favor de um ou a favor de outro.

Estado - Mas o racha na base aliada não é prejudicial ao governo?

Pepe Vargas - A democracia é feita de disputas. Temos de tratar isso com naturalidade. Quem ganhar, ganhou; quem perder, perdeu. Não podemos interferir nesse processo.

Estado - O fato de parlamentares do PSDB estarem, nos bastidores, apoiando Eduardo Cunha, apesar da declaração de voto no deputado Júlio Delgado, não atrapalha as contas do governo?

Pepe Vargas - As grandes lideranças do PSDB deram o toque de ordem unida, em  apoio a Júlio Delgado. O voto é secreto, o índice de traição existe em qualquer lugar e pode haver o imponderável. Não há como ter certeza de nada, mas, se as lideranças do PSDB detectaram o movimento e houve clara tentativa de mostrar apoio a Júlio Delgado, por que a gente desconsideraria isso?

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