Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Quem é o reverendo que vai depor na CPI da Covid

Amilton Gomes de Paula é fundador de ONG apontada como ‘intermediador’ entre empresa e governo em compra de vacina

Levy Teles, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2021 | 05h00

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid recebe nesta terça-feira, 3, o reverendo Amilton Gomes de Paula, apontado por representantes da Davati Medical Supply como um “intermediador” entre o governo federal e a empresa, que ofertava vacinas. Ele é fundador da Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah), uma organização não governamental.

Uma troca de e-mails feita em março, revelada pelo Jornal Nacional, da TV Globo, aponta que o reverendo recebeu autorização do então diretor do departamento de Imunização do Ministério da Saúde, Lauricio Monteiro Cruz, para negociar 400 milhões de doses do imunizante da AstraZeneca. O servidor foi demitido no dia 8 de julho. A Davati é investigada pela CPI da Covid após o policial militar Luiz Paulo Dominghetti, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, dizer que o então diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, cobrou propina de US$ 1 por dose da vacina AstraZeneca para fechar contrato com a empresa.

O depoimento do reverendo estava agendado para o dia 14 de julho, mas foi adiado após o presidente da Senah apresentar atestado informando a “impossibilidade de comparecer ao depoimento agendado” pelo colegiado por problemas renais, confirmado por perícia médica do Senado.

O nome do reverendo apareceu pela primeira vez na CPI durante o depoimento de Luiz Paulo Dominghetti, que afirmou que teve reuniões agendadas no Ministério da Saúde por intermédio de Amilton. O ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, reconheceu ter recebido Amilton para falar sobre uma oferta de doses de vacina contra a covid-19.

Conforme revelou a Agência Pública, a Senah ofereceu imunizantes da AstraZeneca e da Janssen para prefeituras e governos estaduais junto à Davati num valor três vezes maior que o estabelecido pelo Governo Federal para a mesma vacina da AstraZeneca com a Fiocruz. Em trocas de mensagens publicadas pela revista Veja e confirmadas pelo Estadão, Dominghetti citou, no dia 16 de março, o presidente Bolsonaro e o reverendo Amilton ao falar da negociação de vacinas com o governo. 

“Ontem, o Amilton falou com Bolsonaro, ele falou que vai comprar tudo”, disse o policial em mensagens reveladas depois que ele entregou o celular para perícia técnica. A mensagem foi enviada a um interlocutor identificado como “Rafael Compra Vacinas” – depois identificado como Rafael Silva, da Davati.

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