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Gabriela Bilo/Estadão
Gabriela Bilo/Estadão

Quem é o delegado da PF que vai investigar Bolsonaro

William Tito Schuman vai apurar se presidente cometeu crime de prevaricação por não determinar apuração de irregularidades na compra da vacina indiana Covaxin

Vinicius Valfré, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2021 | 11h24

BRASÍLIA - O inquérito da Polícia Federal (PF) aberto para apurar se o presidente Jair Bolsonaro prevaricou diante de denúncias de corrupção na compra de doses da vacina Covaxin será conduzido pelo delegado William Tito Schuman Marinho, de 44 anos. Há 19 na corporação, ele tem atuação nas áreas de inteligência e de repressão ao crime organizado.

No fim de 2015, o delegado foi cedido da Superintendência de São Paulo para a Operação Lava Jato, no Paraná. Em 2017, integrou a equipe da Operação Carne Fraca, que apurou esquema de fraudes no Ministério da Agricultura e irregularidades praticadas por frigoríficos. Sempre sem aparecer na linha de frente das entrevistas coletivas.

A apuração lançou luz sobre um esquema de liberação irregular de licenças para frigoríficos. A operação abalou a imagem do agronegócio dentro e fora do País, especialmente por informações que colocaram em xeque o controle da qualidade da proteína animal pelo sistema sanitário.

Uma rara nota conjunta da PF e do Ministério da Agricultura, em março de 2017, tratou de asseverar que os problemas sanitários foram pontuais, por parte de "alguns servidores", e que "não representam um mau funcionamento generalizado do sistema de integridade sanitária brasileiro".

Tito tem uma veia filosófica. Imediatamente após terminar o curso de Direito, em 2000, emendou uma graduação em Filosofia, na USP, como registra seu currículo. Mais recentemente, em 2013, concluiu um mestrado nesta área, com pesquisas sobre John Rawls, um importante filósofo do século XX que desenvolveu teorias sobre justiça, bem-estar social e democracia.

O inquérito que apura a suposta prevaricação de Bolsonaro foi instaurado por determinação da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ela atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República.

O caso foi levado ao STF depois que o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) e o irmão dele, Luís Ricardo Fernandes Miranda, servidor de carreira e chefe da Divisão de Importação do Ministério da Saúde, detalharam em depoimento à CPI da Covid as denúncias que apresentaram ao presidente Bolsonaro.

De acordo com os irmãos, havia pressão por parte de superiores de Luis Ricardo no ministério para que ele agilizasse trâmites para a importação da Covaxin, mesmo com inconsistências no processo. O processo de aquisição de 20 milhões de doses do imunizante indiano é um dos focos de investigação da CPI. Depois das denúncias, o contrato foi suspenso.

No encontro com os denunciantes, em 20 de março, o presidente teria classificado os relatos como "graves" e dito que pediria providências à PF. Em 24 de junho, quase três meses depois de ter sido informado sobre as possíveis irregularidades no processo de aquisição das vacinas, o presidente ainda não havia acionado a PF para investigar o caso, conforme publicou o Estadão.

Um inquérito para apurar a denúncia dos irmãos Miranda só foi instaurado em 30 de junho, por determinação do ministro da Justiça, Anderson Torres.


 

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