Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

'Quem é ativista de partido, como o PT, tem obrigação de se afastar', diz Santos Cruz

Secretaria de Governo dispensou 18 funcionários nesta terça-feira

Vera Rosa, Felipe Frazão e Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

08 Janeiro 2019 | 15h23

O ministro-chefe da Secretaria de Governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz, disse nesta terça-feira, 8, que as exonerações em sua pasta não possuem viés ideológico nem representam uma caça às bruxas, embora tenha admitido que militantes petistas devem deixar os cargos.

“Quem é ativista de partido como o PT tem obrigação moral de se afastar da administração”, afirmou Santos Cruz, após reunião ministerial com o presidente Jair Bolsonaro, no Palácio do Planalto.

A Secretaria de Governo dispensou nesta terça 18 funcionários, seguindo recomendação da Casa Civil para que os titulares de cada pasta exonerem servidores com cargos em comissão e façam um “pente-fino” nas nomeações. “Exoneração é normal. É uma questão de revisão de estrutura”, argumentou o ministro, que disse estar conversando com todos os servidores. “O critério (para permanência) é o da capacitação profissional”, insistiu.

Na semana passada, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, exonerou 320 funcionários e anunciou que faria uma espécie de chamada oral para saber como cada um dos ocupantes dos cargos chegou ao governo e quem foi o padrinho político da indicação. “Para não sair caçando bruxa, primeiro a gente exonera e depois a gente conversa”, afirmou Onyx, no último dia 2. “O governo é novo: ou afina com a gente ou troca de casa. Simples assim”, emendou ele, que falou em “despetizar” o Brasil.

A medida foi alvo de críticas internas e houve quem apontasse o risco de paralisia das ações de governo.  "Na Saúde é um pouco mais complicado. Às vezes você tira uma peça e gera desassistência na outra ponta", disse, na ocasião, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

'Lei do silêncio'?

Santos Cruz, por sua vez, disse não enxergar qualquer falta de sintonia entre integrantes da equipe. Questionado pelo Estado sobre um espécie de “lei do silêncio” baixada pelo presidente Jair Bolsonaro para evitar novos desencontros de informações, como os da semana passada, Santos Cruz declarou não saber de nada disso.

“Lei do Silêncio? Que é isso? Tá louco... Comigo não”, reagiu o ministro, rindo. Ao ser lembrado das divergências entre os ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Paulo Guedes (Economia), o general argumentou que  “aquilo é coisa do passado” e nem merece registro.

“O episódio está completamente superado. Não tem falta de sintonia. O governo funciona por integração e é visível a harmonia. Qualquer  assunto que você trata depende dessa integração entre ministérios. E aquilo lá é coisa do passado, já foi”, insistiu o ministro.

Onyx e Guedes teriam reunião marcada nesta terça-feira, no Ministério da Economia, para definir as diretrizes da proposta de reforma da Previdência, a ser enviada ao Congresso em fevereiro. Na semana passada,  mais do que problemas de comunicação, as idas e vindas do governo sobre o anunciado – e depois desmentido – aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) escancararam uma queda de braço entre o núcleo político e a área econômica do governo, como revelou o Estado no sábado.

Seguindo a ordem de Bolsonaro, porém, Guedes disse não haver turbulências no horizonte. “Todo mundo acha que tem uma discussão entre nós, uma briga. Nós somos uma equipe muito, muito sintonizada”, afirmou o titular da Economia, nesta segunda-feira, em referência a Onyx, após almoçar com o colega.

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