Keiny Andrade/AE
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Quem é Antonio Mariz de Oliveira, cotado para ser o novo ministro da Justiça

Criminalista já deu declarações críticas à Operação Lava Jato e foi secretário de Justiça de São Paulo no governo Quércia

O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2017 | 10h59

SÃO PAULO - Criminalista há quase 50 anos, o advogado Antônio Claudio Mariz de Oliveira está entre os principais cotados para assumir o Ministério da Justiça no lugar de Alexandre de Moraes, indicado a uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF).

O advogado é amigo de Michel Temer, que chegou convidar Mariz para o mesmo cargo logo que assumiu a Presidência, em maio do ano passado, ainda como interino. Teve de "desconvidar", porém, depois que o advogado deu declarações contrárias ao modo como agia a força-tarefa da Lava Jato e criticou as investigações.

"Sou contra a delação nesses termos e, especialmente, a delação do preso. Quem está detido não tem vontade, a vontade é sair da cadeia. A lei fala efetividade e voluntariedade [do acusado]", disse, na época, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.

Antes, em janeiro do ano passado, assinou um manifesto com mais de cem advogados em que qualificava a investigação como uma "espécie de Inquisição", em que os princípios da plena defesa e a presunção de inocência não estavam sendo contemplados.

O presidente, porém, avalia que ficou com uma dívida moral com o amigo de longa data, que já foi secretário de Segurança e Justiça em São Paulo na década de 1990, no governo de Orestes Quércia.

Entre os clientes de Mariz está o vice-presidente da Camargo Corrêa Eduardo Hermelino Leite, envolvido na Lava Jato. Também atuou no julgamento do mensalão, quando conseguiu a absolvição de Ayanna Tenório, do Banco Rural, e participou da defesa do marqueteiro Duda Mendonça, responsável pela campanha de Luiz Inácio da Silva à Presidência em 2002.

Começou a trabalhar em 1962 no escritório do pai, Waldemar Mariz de Oliveira Júnior, que foi desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Embora tenha se notabilizado por defender réus famosos, como o ex-prefeito Paulo Maluf e o jornalista Pimenta Neves, costuma contar a história de um dos primeiros clientes de seu escritório de advocacia, ainda na Praça da Sé. Segundo ele, defendeu um  carregador autônomo do Mercado Municipal, autuado em flagrante por furto de uma saca de arroz. Naquela época, delitos punidos com reclusão não permitiam a concessão de fiança e por isso, mesmo alegando inocência, o homem ainda estava preso quando foi interrogado. "Feito o requerimento de relaxamento da prisão, conquistou a primeira vitória: o pedido foi deferido pelo juiz, levando às lágrimas não só o réu, mas os dois advogados que o defendiam, Antonio Cláudio Mariz de Oliveira e o hoje Desembargador Alberto Viégas Mariz de Oliveira", relata a história no site da banca que leva seu nome.

Também presidiu a Seccional de São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) por duas gestões no fim da década de 1980.

 

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