Queixas comuns garantem diálogo dos governadores

Nunca os governadores se falaram tanto como nos últimos dias. Uma intensa troca de telefonemas entre eles mostra bem que a proposta de elaborar uma agenda comum dos Estados prosperou e a idéia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de chamá-los em bloco para assistirem ao lançamento do PAC pode ter o efeito de um tiro no pé. No dia do anúncio, insatisfeitos, os governadores almoçaram juntos e articularam uma seqüência de reuniões para montar uma agenda dos Estados. Nos dias subseqüentes, passaram a se falar muito, para não perderem conexão.O segredo para o sucesso do movimento dos governadores, disse na quinta-feira ao Estado Blairo Maggi, de Mato Grosso, é só debater assuntos que unam. "Se falarem de unificação de ICMS, eu pego minha bazuca e corro para a minha trincheira", brincou. Exemplo de assunto que une, por exemplo, é pedir alterações na regulamentação do Fundeb, feita no apagar das luzes de 2006 pelo governo Lula. Este é o primeiro tema relacionado pelos governadores participantes do movimento.Outro tema que une é a idéia de que o governo eleja as obras de infra-estrutura depois de consultar os Estados - reclamação uníssona dos governadores após o anúncio do PAC. Um terceiro ponto pacífico é reclamar um naco para os Estados na CPMF. E um quarto ponto é liberar para os governadores a Desvinculação dos Recursos do Estado (DRE), nos mesmos moldes da Desvinculação dos Recursos da União (DRU).Maggi acrescenta que a reforma tributária não deverá ser tratada porque, além de não unir os governadores, abriria polêmica com a União. "Da forma como foi tratada no primeiro governo Lula, ela inviabiliza os Estados, porque mexe no bolso de todos. E transforma os Estados do Centro-Oeste em capitanias de São Paulo", objetou.O patrono da primeira reunião e hospedeiro do almoço inaugural dos governadores, José Roberto Arruda (PFL), do Distrito Federal, guarda boa expectativa: "O debate está bem encaminhado. Não vamos ter problemas". Arruda também vai hospedar o segundo encontro, na próxima segunda-feira à tarde, apenas com governadores indicados como representantes de regiões. Estarão em Brasília, além dele, Maggi, de Mato Grosso, coordenador do Centro-Oeste; Eduardo Braga (PMDB), do Amazonas, coordenador do Norte; Marcelo Déda (PT), de Sergipe, coordenador do Nordeste; Paulo Hartung (PMDB), do Espírito Santo, coordenador do Sudeste, e Luiz Henrique da Silveira (PMDB), de Santa Catarina, coordenador do Sul. Yeda Crusius (PSDB-RS) e André Puccinelli (PMDB-MS) também vão participar.PreparativoO movimento avançou tanto que na segunda-feira de manhã os governadores do Centro-Oeste vão fazer uma reunião prévia para enfrentar a preparatória da tarde. Nela, Puccinelli, Maggi, Arruda e o goiano Alcides Rodrigues vão acertar as prioridades da região que serão apresentadas em conjunto na reunião da tarde.Nas regiões Sudeste e Sul não será difícil alcançar um consenso de propostas. No Sudeste, inclusive, os quatro governadores já têm um mecanismo comum para a área de segurança pública; no Sul, a discussão avançou. Mas o mesmo otimismo não é compartilhado por Estados do Norte e do Nordeste.

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