Queixa do PSDB sobre tradução de denúncia de cartel é 'até risível', diz ministro

Ministro da Justiça rebate críticas de tucanos sobre investigações de suspeita de corrupção em contratos do sertor metroferroviário em SP e diz que partido quer confundir a opinião pública

Atualizado às 13h47, O Estado de S. Paulo

27 de novembro de 2013 | 10h19

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse lamentar a tentativa do PSDB de transformar em disputa política a investigação sobre as denúncias de cartel de trens no governo de São Paulo. Em entrevista à Rádio Estadão na manhã desta quarta-feira, 27, Cardozo qualificou como 'risível' a queixa de lideranças do partido de que parte da documentação sobre o caso tenha sido adulterada.

Na tarde dessa terça-feira, 26, o presidente do PSDB, senador Aécio Neves, acompanhado de outras lideranças da sigla, chegou a pedir a demissão do ministro. O partido questiona o fato de o ministro ter encaminhado as denúncias à Polícia Federal após recebê-las do deputado licenciado Simão Pedro (PT). O parlamentar foi acusado pelos tucanos de ter adulterado o conteúdo de uma carta enviada à Siemens em 2008. O texto continha as denúncias de formação de cartel entre multinacionais e pagamento de propinas para obtenção de contratos com o governo paulista.

"Há outras partes, eu diria, mais substantivas do ponto de vista informativo, que estavam nesse documento. Pode parecer, ao meu ver, algo até risível. Você recebe um amplo material de investigação, alguém sem saber quem mandou oficialmente diz que houve adulteração. Se não se sabe quem mandou, como é que pode adulterar? É uma tentativa de fazer uma confusão para a opinião publica, que eu lamento", reagiu o ministro.

A carta cuja tradução o PSDB afirma ter sido falsificada foi escrita em inglês, em 2008, pelo ex-diretor da Siemens e enviada à sede da multinacional na Alemanha de forma anônima. Tanto a versão em inglês quanto a versão em português estão anexadas a um relatório escrito em abril deste ano também por Everton Rheinheimer. O conteúdo desse relatório principal, que cita propina ao chefe da Casa Civil de Geraldo Alckmin, Edson Aparecido, e envolve outros políticos tucanos com integrantes do carte, foi revelado pelo Estado na semana passada.

"Vamos ser sinceros. Isso faz parte da investigação. Se é um documento ou outro, se é uma tradução. Isso vai ser investigado", disse Cardozo.

O ministro reagiu mais uma vez às críticas do PSDB de que o PT pretende usar o caso para abafar o mensalão. "Lamento isso. Acho que os nervos de algumas pessoas estão a flor da pele. E quando não se quer que uma investigação siga seu rumo normal, se quer transformar tudo numa disputa política. A Polícia Federal cumprirá seu papel", afirmou.

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