Queima de papéis é apurada

Dois anos depois de um pedido formal de esclarecimentos feito pelo governo, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, determinou aos comandantes da Aeronáutica, Exército e Marinha, neste mês, a instauração de uma sindicância para investigar a queima de documentos da ditadura militar. Não há prazo para a conclusão das investigações.Em 2006, depois que o governo determinou o recolhimento de todos os documentos ao Arquivo Nacional, a Defesa informou que nada tinha a encaminhar. Todos os papéis do período de 1964 a 1985 teriam sido incinerados, inclusive os autos que comprovariam sua destruição. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pediu uma investigação sobre o tema ao então ministro da Defesa, Waldir Pires. A crise aérea e a conseqüente troca no comando do ministério foram as razões dadas pelo governo para a demora nas providências. Recentemente, o Exército voltou a negar a existência de documentos sobre a atuação da força durante a ditadura no processo aberto em São Paulo contra os dois ex-comandantes do Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) - os coronéis reformados do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra e Audir Santos Maciel.Em comunicado à Justiça, o chefe de gabinete do Comando do Exército, general de divisão Joaquim Silva e Luna, disse que "os possíveis documentos referentes aos acontecimentos" no DOI-Codi de São Paulo e os termos de destruição não existem. A negativa reavivou as dúvidas entre membros do governo sobre a destruição desses documentos e recebeu críticas de ministros do governo, em especial de Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos. No início do ano, outra ação foi movida contra a declaração de que os documentos teriam sumido. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) protocolou representação no Superior Tribunal Militar (STM) para que fossem investigados e punidos militares responsáveis pela destruição de papéis referentes à Guerrilha do Araguaia.

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