Queda nas taxas de natalidade preocupa a Europa

Outro dia, num centro recreativo, um bando de pais observava com ares de adoração uma dúzia de crianças entre 3 a 4 anos, espalhadas em uma colorida sala de brinquedos. Ali estava uma Itália como um estrangeiro a imagina: de família amorosa e cuidadosa com as crianças. Mas alguma coisa estava errada com a foto. A maioria dos pais estava voltada para uma única criança. Na Itália e em outros países europeus, as taxas de natalidade têm diminuído nas últimas décadas, trazendo as famílias com uma criança muito perto da norma estatística. Na Espanha, Suécia, Alemanha e Grécia, a taxa de fertilidade total - ou o número médio de crianças que se espera que uma mulher venha dar à luz, com base nos indicadores atuais - era de 1,4 ou menos no último ano, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Em nenhum país da Europa Ocidental a taxa alcançou 2,1 - a marca, segundo os demógrafos, que representa uma exata reposição da população. Em contraste, os Estados Unidos têm uma taxa de 2,0, que os demógrafos atribuem a um grande movimento de imigração. Embora essa tendência tenha estado evidente por vários anos, suas conseqüências construídas lentamente estão agora vindo à tona, com mais e mais países da Europa Ocidental reconhecendo e chamando a atenção para o espectro de uma força de trabalho menos competitiva, menos benefícios para os que se aposentam e um sistema de aposentadoria que vai sofrer cortes cada vez mais profundos. Os EUA publicaram recentemente dados que sugerem que a população da Espanha pode diminuir para cerca de 31,3 milhões em 2050, de um total de 39,9 milhões hoje. De acordo com a OMS, a taxa de fertilidade da Espanha, no ano passado, foi de 1,1, a mais baixa da Europa. Muitas províncias na Itália rica e bem-educada do Norte têm taxas menores ainda do que essa. A taxa na província de Ferrara, que inclui a cidade do mesmo nome, tem estado abaixo de 0,9. Os funcionários do governo em Ferrara falam da escassez de crianças nas ruas, do fechamento de escolas de ensino fundamental na última década e uma permanente sensação de que alguma coisa está faltando. "Há uma falta de energia", disse o vice-prefeito Tiziano Tagliani em uma recente entrevista. "A sociedade é mais fria sem crianças."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.