Andre Dusek/AE
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Queda de Rossi enfraquece projeto eleitoral de Temer e dá força a Kassab

Ex-ministro da Agricultura citou em sua carta de demissão 'objetivos políticos' de adversários, no caso, a ala 'quercista' do partido e o grupo alojado na prefeitura da capital paulista

Alberto Bombig, de O Estado de S. Paulo

18 de agosto de 2011 | 18h27

A saída de Wagner Rossi do Ministério da Agricultura é o primeiro revés no projeto eleitoral elaborado pelo vice-presidente da República, Michel Temer, para fortalecer o PMDB no Estado de São Paulo e aproximá-lo do PT. Por conta disso, o ex-ministro citou em sua carta de demissão "objetivos políticos" de adversários, no caso, a ala "quercista" do partido e o grupo alojado na prefeitura da capital paulista, comandada por Gilberto Kassab. Outros destinatários também seriam o senador Aloysio Nunes Ferreira e o ex-governador Alberto Goldman, ambos tucanos egressos do PMDB de Orestes Quércia.

 

Na quarta-feira, 17, Kassab já começou a telefonar para dirigentes do PMDB em busca de ocupar o espaço deixado pela queda do ministro. O prefeito voltou a sonhar com uma aliança com o PMDB e seu PSD, a ser criado até o final do próximo mês.

 

Rossi e seu filho Baleia Rossi, deputado estadual e presidente do PMDB paulista, eram os encarregados de articular apoios e montar a estrutura necessária para as pré-candidaturas e candidaturas do partido em 2012, especialmente entre o rico setor do agronegócio, muito forte no interior do Estado. No ministério, Rossi também utilizava seu poder de nomear e liberar verbas para cooptar dirigentes e prefeitos peemedebistas, historicamente divididos em São Paulo, ao projeto de Temer. Quando a força dos argumentos do pai não funcionava, Baleia destituía diretórios "rebeldes" e nomeava para seus lugares comissões provisórias atreladas ao vice-presidente da República.

 

Em privado, aliados da família Rossi e de Temer reconhecem que os adversários estavam ficando "sufocados" e atribuem a quase totalidade das denúncias contra o ex-ministro aos "órfãos" do governador Quércia, morto em dezembro do ano passado e que durante três décadas controlou sozinho o PMDB paulista. Citam como exemplo o isolamento político do peemedebista Airton Sandoval, suplente de Aloysio Nunes Ferreira.

 

Em 2008, Quércia atrelou o PMDB paulista à candidatura vitoriosa de Kassab com a indicação de Alda Marco Antonio como vice-prefeita. No ano passado, ele repetiu a dose e incluiu no acordo o PSDB, apoiando José Serra para presidente e Geraldo Alckmin para o governo.

 

Após a morte de Quércia, Temer enxergou a oportunidade de controlar o espólio do antigo líder com a ajuda de Rossi e do PT paulista, presidido pelo deputado estadual Edinho Silva. Conforme o arranjo feito pelos dois partidos, o PMDB romperia a aliança com Kassab e com os tucanos para lançar um candidato próprio a prefeito da capital, Gabriel Chalita.

 

Agora, com Rossi fora do ministério, recupera força no PMDB-SP o lado favorável à manutenção da aliança com o candidato de Kassab, provavelmente pelo PSD, ou com o candidato de Alckmin.

 

 

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