Queda de popularidade de Lula é por causa da crise, diz Dilma

Durante encontro do partido no Rio, ministra chegou a ser comparada às presidentes do Chile e da Argentina

Alessandra Saraiva e Daniele Carvalho, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2009 | 15h57

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, atribuiu à crise financeira mundial a queda de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e minimizou os efeitos políticos desse recuo. "Não achamos problemático ou nos preocupamos mais do que devemos com isso. Até porque, sem sombra de dúvida, há uma avaliação bastante positiva do governo", afirmou a ministra, na chegada ao encontro promovido, no Rio, pelo grupo petista "Mensagem ao Partido", criado em 2007, com o objetivo de devolver ao PT a credibilidade abalada depois do escândalo do mensalão.

 

Recebida como presidenciável, sob aplausos e gritos de "Olê, olá, Dilma, Dilma", a ministra teve sua candidatura defendida pelos ministros Tarso Genro, da Justiça, Carlos Minc, do Meio Ambiente, e Guilherme Cassel, do Desenvolvimento Agrário. Ela centrou seu discurso nos esforços do governo para vencer a crise financeira e garantiu a continuidade da queda dos juros. "Temos hoje condições de reduzir os juros de forma significativa sem comprometer a estabilidade do País e nós vamos fazê-lo", declarou Dilma, antecipando-se a decisões monetárias do Banco Central.

 

Citada por Tarso Genro como "o nome que pode dar continuidade aos projetos que vêm sendo desenvolvidos pelo PT desde 2003", Dilma, que no início do mês admitiu ver com "simpatia" a indicação de sua candidatura comportou-se mesmo como presidenciável. Mas, preferiu não vincular uma futura campanha às pesquisas de popularidade do presidente Lula, preferindo ligar o assunto à crise econômica. "Vimos o resultado (das pesquisas) com muita naturalidade. Acho que as pesquisas sempre refletem estas variações. Não estamos preocupados com esta questão. A preocupação hoje do governo é enfrentar a crise", afirmou.

 

Em uma bancada formada por deputados, prefeitos e líderes do PT, o nome de Dilma para a presidência foi por diversas vezes comparado aos das presidentes do Chile, Michelle Bachelet, e da Argentina, Cristina Kirschner. A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, primeira mulher do PT a ocupar a administração de um Estado, defendeu que "agora é hora do partido colocar uma mulher também na presidência".

 

Perguntada sobre as discussões dentro do PT sobre sua possível candidatura para as próximas eleições, Dilma disse que esta é uma questão que não é prioridade dentro do partido. "Esta é uma discussão para 2010", desconversou.

 

Petrobrás 

 

Antes do início do evento, a ministra defendeu o posicionamento da Petrobras de não reduzir o preço da gasolina. Perguntada se esta seria uma estratégia da empresa para retomar perdas amargadas durante a alta do barril a ministra retrucou: "Não há este posicionamento da Petrobras. Nós mantivemos os preços quando chegou a US$ 150 o barril, não reajustamos. Não temos uma política de preço de acompanhar a volatilidade do mercado internacional. Não é essa a política de preço praticada no Brasil", defendeu.

 

A ministra aproveitou para criticar o posicionamento tomado por alguns formadores de opinião. "Quando o barril de petróleo foi a US$ 150 no ano passado, houve uma porção de articulistas, colunistas e consultores que avaliavam que a gente tinha de elevar o preço. Nós sabemos que é um mercado volátil. A política do governo nunca foi, desde 2003, acompanhar a volatilidade de mercado. Até porque este mercado é tudo, menos perfeito", acrescentou a ministra.

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