Quebrado sigilo de empresário no caso Sudam

A Justiça Federal quebrou o sigilo de 11 contas bancárias do empresário Romildo Onofre Soares, de seis funcionários seus e de quatro empreendimentos quer receberam recursos do Fundo de Investimento da Amazônia (Finam). Romildo, que é acusado de ser um dos maiores fraudadores da extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), pertence a uma das famílias mais influentes de Altamira, aliada política do presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA). O empresário tinha quatro projetos em Tocantins, todos considerados fraudulentos por uma auditoria feita pela Secretaria Federal de Controle e Polícia Federal.Com o sigilo quebrado, a Polícia Federal pretende fazer o rastreamento do dinheiro liberado pela Sudam para os projetos Frango Líder, Refrigerante Xuí, Café Serrano e Paraíso Agroindustrial, todos pertencentes ao empresário, mas que estavam em nomes de laranjas.O empresário é citado em Altamira como aliado de Jader, mas o senador nega qualquer contato com ele. "Encontrei-me com ele há muitos anos, durante uma campanha política", disse Jader, recentemente. Em maio deste ano, Romildo divulgou uma nota à imprensa, distribuída do gabinete da Presidência do Senado, defendendo-se e isentando Jader de qualquer envolvimento com as fraudes da Sudam. "Jamais fui procurado pelo senador e nem o ocupei para tratar de quaisquer projetos em andamento pela Sudam", afirmou o empresário, acrescentando: "Urge informar que nunca fui empregado ou subordinado ao referido senador, tendo-o como homem probo, inteiramente sem mácula em sua vida pública e defensor do nosso Estado e da Federação."RanárioAuditores da extinta Sudam iniciaram uma inspeção no ranário "Touro Gigante", pertencente a Márcia Cristina Zaluth Centeno, mulher do presidente do Senado. Em abril passado, o interventor da Sudam e atual secretário da Agência de Desenvolvimento da Amazônia (ADA), José Diogo Cyrillo, decretou intervenção no projeto, afirmando que o empreendimento devia em torno de R$ 6,9 milhões para os cofres públicos. Márcia contestou, afirmando que recebera apenas R$ 400 mil, e que a Sudam era quem deveria liberar mais R$ 800 mil."Todos os procedimentos administrativos foram tomados de acordo com as normas do Ministério da Fazenda", afirmou Cyrillo. "Os valores que chegamos referem-se a juros, multa e demais correções." A inspeção deve durar até o final do mês. Os auditores estão analisando documentos, notas fiscais e as obras físicas do empreendimento. Nos últimos dias, pouco depois de a reportagem anunciar a auditoria, há três semanas, o ranário sofreu uma reforma.

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