Quebra de sigilo pode ter envolvido alto funcionário, diz CEF

O comando da Caixa Econômica Federal (CEF) admitiu nesta terça-feira, diante de três senadores integrantes da CPI dos Correios, que o extrato da conta do caseiro Francenildo Santos Costa pode ter saído de dentro do próprio banco, num gesto praticado por algum funcionário de nível de gerência.A informação foi prestada pelo senador Álvaro Dias (PSDB-PR), um dos parlamentares que participaram, na sede da Caixa, de uma reunião com o presidente da instituição, Jorge Mattoso, e outros integrantes da diretores do banco. Também estiveram na CEF os senadores Flávio Arns (PT-PR) e Wellington Salgado (PMDB-MG).Dias contou que ele próprio levou para a reunião uma cópia do extrato bancário do caseiro e que, ao analisar o documento, a diretoria da Caixa já eliminou a possibilidade de o extrato ter sido retirado das máquinas de auto-atendimento ou via internet banking."Eles alegaram que precisam ter acesso ao documento original do extrato para poder dar início à investigação. Mas ficou claro, pelo simples exame da cópia, que ela não foi obtida através do auto-atendimento ou via internet. O extrato foi fornecido através de uma gerência", afirmou, convicto, o senador.Documento originalSegundo o senador do PSDB, Mattoso pediu a ajuda da CPI para ter acesso ao documento original, de posse da revista Época. "Ele disse que solicitou à revista o envio do extrato e nós da CPI vamos ajudar a Caixa", prometeu.De acordo com Dias, a CPI vai votar nesta quarta-feira, dia 21, um requerimento solicitando a remessa do extrato original à CPI e que o documento será remetido de imediato à Caixa.Apesar de a diretoria da Caixa ter insistido em obter o documento original, o senador disse que pode ser possível apenas uma cópia legível. "Parece que o extrato foi remetido por faz para a revista", ponderou.Durante a reunião com os senadores, Mattoso disse que a comissão de inquérito, instalada para apurar eventuais responsabilidades, tem prazo de 15 dias para concluir o relatório. O senador achou o prazo pedido muito longo.LentidãoEle disse que o responsável pelo vazamento foi muito ágil em propagar a informação, mas que a Caixa alegou que precisa cumprir todo um rito, inclusive de ordem jurídica. "Há lentidão no procedimento", disse.O senador do PSDB argumentou que o próprio Mattoso já podia ter ido pessoalmente à sede da revista solicitar o documento. A posição de Dias foi contestada pelo senador Flávio Arns.Para o parlamentar do PT, a diretoria da Caixa está preocupada em esclarecer tudo rapidamente porque o que está em jogo é a credibilidade da instituição junto a seus milhares de clientes. Segundo Dias, o presidente da Caixa declarou que foi pego de surpresa pelas notícias vinculadas na imprensa e que a situação é extremamente "desagradável" para a instituição.ReconvocaçãoDois requerimentos encaminhados à CPI dos Bingos - do PFL e do senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) - pedem a reconvocação do presidente da CEF para que ele preste informações sobre a violação do sigilo bancário do caseiro.No entender do líder do PFL, senador José Agripino (RN), a presença de Mattoso se faz necessária, diante do "espanto", causado à Nação pela violação da conta do caseiro. "Veja a que ponto chegou a nossa caixa nas mãos do PT", criticou o líder. "Seu presidente deve vir à comissão explicar quem meteu a mãol na conta do brasileiro Francenildo".No seu requerimento, o senador Antero alega que os dados da conta de Nildo na Caixa tornaram-se público, não em decorrência de vazamento de informações sigilosas, mas sim por meio de "uma violação, de modo estarrecedor e repassados aos meios de comunicação"."Tal fato leva a crer que a violação do sigilo bancário pode ter sido uma determinação do próprio governo federal, numa tentativa de desqualificar as denúncias do senhor Francenildo", afirma Antero.

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