Quebra de sigilo de filha de Serra em telejornais preocupa campanha de Dilma

Preocupados com a divulgação do escândalo da quebra de sigilo da filha de Serra, organizadores de campanha de Dilma planejam estratégias para não perderem a ponta

Andréa Jubé, Vianna, da Agência Estado

02 de setembro de 2010 | 17h49

BRASÍLIA - A ampliação da cobertura jornalística do escândalo da violação do sigilo fiscal da empresária Verônica Serra, filha do presidenciável do PSDB, José Serra, acendeu o sinal vermelho no comando da campanha de Dilma Rousseff. O PT decidiu encomendar uma pesquisa qualitativa para aferir o impacto político do escândalo na campanha eleitoral.

 

Além disso, o partido vai analisar com lupa os levantamentos que saem nos próximos dias. O Ibope divulga nova pesquisa amanhã e o Instituto Datafolha no sábado. Um dos coordenadores da campanha de Dilma admitiu à Agência Estado que depois que a cobertura do episódio ganhou espaço nos telejornais, principalmente no Jornal Nacional - acompanhado diariamente por milhões de brasileiros -, a repercussão será muito maior junto ao eleitorado.

 

Na quarta-feira, 1, o Jornal Nacional - telejornal com maior audiência no País e alto índice de credibilidade - dedicou um bloco inteiro, ou seja, mais de sete minutos ao noticiário sobre a violação do sigilo fiscal da filha de José Serra. Pouco antes, o Jornal do SBT também noticiou o episódio, com a presença de Dilma Rousseff na bancada do telejornal, apresentado por Carlos Nascimento. Depois da veiculação da matéria, Dilma teve de dar explicações no ar, e ao vivo, sobre os desdobramentos do escândalo, que atingiu a filha de seu principal adversário na corrida presidencial.

 

A denúncia também ganhou maiores contornos com as declarações de José Serra, que responsabilizou diretamente Dilma Rousseff e a coordenação de sua campanha pelos atos criminosos. Hoje o presidenciável tucano dedicou uma parte do horário eleitoral para reiterar as acusações. Ontem o PSDB ingressou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com ação para tornar Dilma inelegível, acusando-a de uso político da máquina pública na campanha.

 

Com isso, a percepção entre os petistas é de que a maior exposição das denúncias nos principais telejornais do País pode influenciar negativamente o eleitorado de Dilma. A maior preocupação é com a fatia de indecisos, que por causa do escândalo, pode se decidir por um dos adversários da petista, especialmente por Serra, que desponta como "vítima", porque sua filha foi alvo da quebra de sigilo.

 

Horário eleitoral

 

Por enquanto, a coordenação da campanha de Dilma não cogita repetir a estratégia do tucano, ou seja, utilizar o horário eleitoral para responder aos ataques de Serra. Um dirigente da campanha afirma que o espaço da petista no rádio e na televisão continuará reservado para a apresentação de propostas e discussão de projetos.

 

A ideia é que ela se limite a se pronunciar sobre o caso apenas quando necessário, nas entrevistas coletivas e nos três debates aos quais se comprometeu a comparecer. Nessas ocasiões, ela vai repetir as explicações que já vem dando: de que a investigação cabe à Receita e a Polícia Federal e de que não há provas da participação de integrantes de sua campanha nesses crimes. O próximo debate que contará com a participação da petista será promovido pela Rede TV, em parceria com a Folha de S. Paulo, no dia 12 de setembro. Depois ela reafirmou presença nos debates da Rede Record e da TV Globo.

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