Quebra de decoro será pedida contra Jader

A comissão de investigação do Conselho de Ética do Senado já tem praticamente definido o conteúdo do relatório que irá pedir a abertura de processo por quebra de decoro parlamentar contra o presidente licenciado da Casa, Jader Barbalho (PMDB-PA). Os senadores não irão se restringir ao episódio dos desvios do Banco do Estado do Pará (Banpará), mas também citarão o desenrolar das apurações sobre a venda irregular de Títulos da Dívida Agrária (TDAs). A comissão está tão certa da abertura do processo que já planeja a pauta de audiências do Conselho de Ética.Na comissão, há duas duas certezas: de que Jader foi beneficiado com os desvios e que o relatório não será concluído antes de quarta-feira. Diante das diversas ameaças veladas feitas pelo peemedebista, os senadores não querem correr o risco de dar novas chances de o presidente licenciado de rebater as acusações.Antes de os técnicos do Banco Central analisarem os documentos sobre as fraudes ocorridas no Banpará, na semana passada, os senadores tinham como alternativa pedir a abertura de processo contra Jader por obstrução na tramitação de documentos. Mas, diante do que os senadores constataram, na sexta-feira, a primeira tese foi descartada, dando lugar a apenas a acusação contra Jader de ter mentido à comissão de ética ao afirmar que não tinha sido um dos beneficiários dos recursos saídos do Banpará."A obstrução, a partir de agora, não será mais o passo principal, mas apenas um aditivo", confirma o senador Romeu Tuma (PFL-SP), integrante da comissão, pouco depois do encontro com os funcionários do Banco Central. A decisão de mudar a conotação da acusação foi tomada em comum acordo entre Tuma e seu colega Jefferson Péres (PDT-AM), do grupo favorável à abertura do processo que poderá culminar na cassação do mandato de Jader.Os técnicos do BC analisaram detalhadamente uma operação que foi contestada pelo senador durante seu depoimento, há duas semanas. Apesar de o relatório do inspetor do BC Abrahão Patruni Junior ter sido claro ao mostrar um cheque de Jader numa aplicação - onde ele foi o responsável pela complementação - o presidente licenciado do Senado não se deu por vencido e colocou suspeitas no documento feito pelo BC. (Colaborou Gilse Guedes)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.