Ed Ferreira|Estadão
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'Que reunião? Não fui chamado', lamenta Aloysio Nunes

Líder do governo no Senado reclama por não ter sido convocado para encontro com representantes de poderes no Itamaraty após conflito entre a Casa e o Judiciário, apesar de seu nome constar em lista de convidados

Erich Decat, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2016 | 17h19

BRASÍLIA - Inserido na lista de convidados e dos presentes do evento promovido pelo presidente Michel Temer, nesta sexta-feira, 28, com demais representantes dos Três Poderes, o líder do governo do Senado, Aloysio Nunes (PSDB-SP) afirmou ter ficado perplexo por não ter sido informado por e-mail da reunião.

O encontro, realizado no Ministério de Relações Exteriores, em Brasília, colocou lado a lado a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que protagonizaram conflito ao longo da semana. Também estiveram presentes o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

“Reunião? Que reunião? Chegaram a me ligar do cerimonial me dizendo que eu estava sendo aguardado, mas não fui chamado”, afirmou Aloysio Nunes ao Estado. “Ninguém me falou nada. Estou agora no Rio de Janeiro, se fosse o caso, até desmarcava as reuniões aqui. Que negócio incrível. Cheguei a ligar no gabinete para saber de algum convite. Nada. Conferi o meu e-mail, nada”, emendou o líder.

Ameno - No encontro, o presidente do Senado, Renan Calheiros, aproveitou para tentar amenizar o clima com a presidente do STF, Carmen Lúcia. A relação entres os dois ficou estremecida após o senador chamar de “juizeco” o juiz titular da 10ª Vara Federal do DF, Vallisney de Souza Oliveira, responsável por autorizar a Operação Métis, deflagrada na última sexta-feira (21), nas dependências do Senado. A ministro cobrou respeito ao Judiciário.

“Foi um reunião muito produtiva. Eu aproveitei a oportunidade para cumprimentar respeitosamente a presidente Cármen Lúcia em nome do Congresso e do povo de Alagoas. Disse que tinha muito orgulho e que ia levar isso para a vida toda o fato de conviver com ela como presidente do Supremo Tribunal Federal. Ela hoje é exemplo do padrão de carácter a ser seguido pelos brasileiros”, afirmou Renan ao Estadão, após deixar o encontro.

Questionado se a partir da reunião de hoje, em que foram discutidas algumas propostas para a Segurança Pública, o imbróglio poderia se considerado “página virada”, o senador respondeu: “Clima foi ameno e respeitoso. A reunião foi muito boa. Fizemos algumas sugestões e o encontro é um exemplo a ser seguido. Mas não sei o que vai acontecer”.

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