DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

'Que desonestos respondam pelos seus atos', diz Calero após prisão de Geddel

Saída de Geddel do governo Temer foi motivada por depoimento de Calero, que disse à PF ter sido pressionado para liberar empreendimento imobiliário de aliado de Temer

Elisa Clavery, O Estado de S.Paulo

04 Julho 2017 | 08h18

No dia em que o ex-ministro da Secretaria de Governo de Michel Temer (PMDB) Geddel Vieira Lima foi preso, o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero publicou em suas redes sociais uma mensagem na qual afirma que sonha com um país em que "os desonestos respondam pelos seus atos". Em novembro do ano passado, Calero deixou o governo e disse à Polícia Federal ter sido pressionado por Geddel para liberar um empreendimento imobiliário em Salvador. Dias depois, com a polêmica, Geddel pediu demissão do cargo de ministro

"Não cultivo o sentimento mesquinho da vingança, mas sonho com um país em que os honestos possam dar sua contribuição e os desonestos respondam pelos seus atos", escreveu Calero em seu Facebook, sem citar diretamente o aliado de Temer. "Que, acima de tudo, prevaleça a justiça, a democracia, a ética e a verdade."

Na decisão que mandou prender Geddel nesta segunda-feira, 3, o juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, da 10.ª Vara Federal, reacendeu o embate entre o Geddel e Calero. O magistrado destacou a "pressão" de Geddel sobre o ex-ministro para conseguir a liberação das obras de um apartamento de luxo em área histórica de Salvador. Para o juiz, Geddel "tenta persuadir pessoas".

O ex-ministro de Cultura já havia feito outras postagens nas redes sociais em referência ao governo. No dia seguinte ao vazamento do áudio entre o presidente e o empresário Joesley Batista, Calero chegou a dizer que havia chegado "a hora de refundar o Brasil"

 

Prisão. Geddel, antigo aliado de Temer, foi preso preventivamente nesta segunda-feira, 3, pela Polícia Federal, na Bahia, no âmbito da Operação Cui Bono?. O decreto tem como fundamento os depoimentos recentes do doleiro Lúcio Bolonha Funaro, do empresário Joesley Batista e do diretor jurídico do grupo J&F, Francisco de Assis e Silva - os dois últimos, em acordo de colaboração premiada.

No pedido enviado à Justiça, os procuradores afirmaram que o ex-ministro agiu para atrapalhar as investigações, com o objetivo de impedir que o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Funaro firmassem acordo de colaboração com o Ministério Público Federal.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.