Quatro dias após criticar esquerda, Lula elogia Niemeyer

Quatro dias depois de ter diagnosticado "problemas" em pessoas com mais de 60 anos que ainda se dizem de esquerda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dirigiu afagos ao arquiteto Oscar Niemeyer, que ontem completou 99 anos. Não sem motivo: Niemeyer, que recomendou voto em Lula, disse ter ficado surpreso com a declaração do presidente. Pela manhã, ao inaugurar o Complexo Cultural da República e participar da comemoração intitulada "Ano 100 do Arquiteto Oscar Niemeyer", Lula fez uma homenagem ao comunista. "Temos de ter muito orgulho de viver num país que tem como filho Oscar Niemeyer", disse. "Certamente, no dia em que ele não estiver mais aqui, saberá que se foi quando todos os seus filhos projetados para Brasília estavam concluídos", emendou o presidente, que também prestou homenagem ao músico Sivuca, morto na quinta-feira, aos 76 anos. "Esquerdização" Mais tarde, ao responder a uma pergunta sobre a possibilidade de a "esquerdização" da América Latina estar espantando investidores estrangeiros, o ministro da Fazendo, Guido Mantega, pôs mais lenha na fogueira que Lula tenta apagar. Na prática, o ministro estava criticando quem debita todos os problemas na fatura de uma suposta "esquerdização". Mas numa semana em que a referência aos problemas da esquerda, feita pelo presidente, provocou mal-estar, sua afirmação soou estranha. "Esquerdização é um termo velho, demodê e ultrapassado, que cheira a mofo", definiu Mantega, em entrevista, logo após reunião de presidentes de bancos centrais e ministros da Fazenda do Mercosul - o bloco econômico formado por Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela. Para Mantega, o que está ocorrendo na América Latina é o fortalecimento e a consolidação da democracia, pois a população mais pobre está se "manifestando mais". A ministra da Economia da Argentina, Felisa Miceli, fez coro com seu colega brasileiro ao dizer que não há qualquer relação entre esquerdização de governos e fluxo de investimentos. Miceli citou o caso da China, país que é governado por um partido comunista e está na lista dos que mais recebem investimentos estrangeiros no mundo. "Os investimentos não têm que ver com a forma de governo. A América Latina tem tido fortalecimento democrático, com os povos buscando soluções para os seus problemas graves", argumentou Miceli.

Agencia Estado,

15 Dezembro 2006 | 19h41

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