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Cid Gomes foi atingido por disparo em Sobral, no Ceará SOBRAL24 HS

Quartel onde Cid Gomes foi baleado é reocupado por policiais que não aderiram a paralisação

Cerca de 300 homens da Força Nacional de Segurança são esperados no Estado após pedido do governador

Manoel Cruz e Lôrrane Mendonça, especiais para o Estado, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2020 | 11h12

SOBRAL e FORTALEZA - Equipes do Comando de Polícia de Choque (CPChoque) da Polícia Militar do Ceará retomaram o quartel do 3º Batalhão de Polícia Militar (3º BPM), em Sobral. Na quarta-feira, o senador licenciado Cid Gomes (PDT-CE) foi atingido por dois disparos de arma de fogo ao tentar romper um bloqueio de policiais grevistas com uma retroescavadeira no local. Após a confusão, o CPChoque realizou incursão no quartel no 3º BPM, mas os policiais amotinados fugiram antes da ação se concretizar.

Cerca de 300 homens da Força Nacional de Segurança são esperados no Estado, após o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, atender ao pedido feito pelo governador Camilo Santana (PT) ao governo federal.

Após o início da paralisação de policiais, depredação de viaturas e ocupação de prédios desde a noite de terça-feira, 18, na Região Metropolitana de Fortaleza, homens encapuzados foram vistos em Sobral desfilando em viaturas. Eles se juntaram no quartel do 3º BPM após Cid Gomes anunciar nas redes sociais que estava indo à cidade negociar com o movimento.

Na tarde de quarta-feira, Cid fez discurso chamando parte dos policiais de "bandidos" e, em seguida, dirigiu-se ao quartel do 3º BPM. Ele avisou aos policiais que teriam cinco minutos para sair, derrubou o portão do quartel com uma retroescavadeira, sendo baleado em seguida.

Cid Gomes foi levado ao Hospital do Coração de Sobral, onde passou por cirurgia. Ele também realizou exames na Santa Casa, mas retornou ao HC, onde está em observação. Ele não corre risco de morte. O hospital está escoltado por viaturas da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Governo do Estado afirmou em nota que o caso está sendo investigado pela Polícia Civil do Estado do Ceará, em conjunto com a Polícia Federal.

Fortaleza

No centro de Fortaleza, a movimentação nas ruas na manhã desta quinta-feira é normal, apesar do sentimento de insegurança por parte de lojistas. O gerente Wellington Rodrigues torce para que toda a situação seja resolvida o mais breve possível. “A gente depende do trabalho dos policiais. A nossa loja fica em uma área privilegiada, com grande visibilidade, eu não tenho visto policiais nas ruas e isso me deixa temeroso”, disse.

Oficialmente, a Secretaria de Segurança Pública do Ceará informa que há policiais civis nas ruas de Fortaleza e do interior reforçando o policiamento ostensivo junto aos PMs.

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Cid Gomes chega a Fortaleza transferido de Sobral

Baleado ao avançar contra amotinados em Sobral, senador ainda tem um projétil alojado no corpo, passará por mais exames e ficará em observação até alta médica

Lôrrane Mendonça, Especial para o Estado

20 de fevereiro de 2020 | 14h54
Atualizado 20 de fevereiro de 2020 | 17h04

FORTALEZA – O senador Cid Gomes (PDT) foi transferido de Sobral, no interior do Ceará, e chegou a Fortaleza no início da tarde desta quinta-feira, 20. Ele está internado em observação no hospital Monte Klinikum, no bairro Aldeota, área nobre da capital. Cid chegou em uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), de maca, mas aparentando saúde estável.

O senador licencidado foi baleado nesta quarta-feira, 19, ao avançar contra o portão de um quartel onde policiais militares estavam amotinados, em Sobral, distante 270 quilômetros da capital cearense. Os PMs protestam contra proposta de reestruturação salarial. 

Cid Gomes chegou a Fortaleza acompanhado do governador Camilo Santana (PT), do prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), do presidente da Assembleia Legislativa, José Sarto (PDT), e do secretário de saúde do Estado, Dr. Cabeto. Ele passará por mais exames e ficará em observação até alta médica.

Em entrevista coletiva na frente ao hospital, o candidato derrotado à Presidência Ciro Gomes (PDT) informou que o irmão apresenta uma bala alojada na altura das costelas. Segundo Ciro, a equipe médica avalia não retirar o projétil.

 

 

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Cid Gomes recebe alta da UTI e vai para a enfermaria após tiros em Sobral

Senador foi baleado ao tentar romper um bloqueio de policiais amotinados com uma retroescavadeira

Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2020 | 09h30

O senador licenciado Cid Gomes (PDT-CE) recebeu alta da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital do Coração de Sobral e fica agora aos cuidados da enfermaria, de acordo com boletim médico divulgado nesta quinta, 20. Na quarta, ele foi atingido por dois disparos de arma de fogo ao tentar romper um bloqueio de policiais amotinados com uma retroescavadeira.

Na noite de quarta o político já estava lúcido e respirava sem ajuda de aparelhoes. Ele chegou a ser transferido para a Santa Casa de Misericórdia de Sobral para realizar um exame de tomografia que não constatou alterações neurológicas ou cardíacas. Depois, voltou para o Hospital do Coração.

"Após atendimento inicial, evoluiu sem intercorrência nas últimas horas, mantendo-se hemodinamicamente estável e com padrão respiratório normal, não mais necessitando de cuidados de terapia intensiva, recebendo, portanto, alta para a enfermaria", diz o boletim desta quinta.

 

Tensão

A tensão envolvendo o governo cearense e policiais militares e bombeiros começou por uma demanda de reajuste salarial em dezembro. Quatro batalhões da PM foram atacados, segundo o governador do Estado, Camilo Santana (PT), aliado político de Cid. As ações foram feitas por pessoas encapuzadas, mas o governo suspeita de que os responsáveis sejam policiais. Por isso, Santana solicitou o apoio de tropas federais para reforçar a segurança

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, autorizou na quarta o envio da Força Nacional de Segurança Pública para o Ceará. Moro determinou que a primeira equipe da Força Nacional de Segurança Pública chegue Estado na manhã desta quinta-feira. 20, a partir das 14h, e que a Polícia Rodoviária Federal desembarque na região em até 48 horas.

“Recomendo que sejam tomadas as necessárias providências para que o movimento paralisação seja encerrado o mais brevemente possível”, escreveu o ministro.

Ainda na quarta, por volta das 14h, homens que foram identificados como policiais encapuzados circularam pelo centro de Sobral ameaçando comerciantes com armas de fogo para fecharem seus estabelecimentos. Cid Gomes usou suas redes sociais para criticar os policiais em greve. “Estou chocado ao ver cenas de quem deveria dar segurança para o povo e está promovendo a insegurança, a desordem. Não consigo me conformar com isso”, disse.

Em seguida, no vídeo, pediu que eleitores o recebessem no aeroporto da cidade. Ao aterrissar, Cid fez um discurso e disse que enfrentaria os policiais grevistas sob o custo da própria vida

Irmão de Cid, o candidato a presidente em 2018 Ciro Gomes (PDT) foi quem informou na quarta que Cid não corria risco de morte. "Espero serenamente, embora cheio de revolta, que as autoridades responsáveis apresentem prontamente os marginais que tentaram este homicídio bárbaro às penas da lei", escreveu no Twitter.

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Eduardo Bolsonaro diz que Cid não teve ‘o mínimo de inteligência’; Ciro responde

Filho do presidente publicou críticas em rede social, e apagou logo em seguida; ex-governador fez referências a envolvimento dos Bolsonaro com milícia

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2020 | 21h57

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) publicou em uma rede social que o senador Cid Gomes (PDT-CE) não teve “o mínimo de inteligência” para lidar com os policiais grevistas do Ceará. A postagem vinha acompanhada com um vídeo do momento em que Cid é baleado, e foi apagada do perfil do deputado minutos depois. 

Segundo Eduardo, a deputada Major Fabiana (PSL-RJ) estava no Ceará para participar das negociações. Fabiana chegou a ocupar a Secretaria Estadual de Vitimização do Rio de Janeiro no governo Wilson Witzel (PSC-RJ), mas deixou o cargo alegando ser “eternamente leal à família Bolsonaro”. 

“A deputada Major Fabiana foi proativamente buscar a melhor saída para a atual situação da PM do Ceará. Infelizmente ela não pôde contar com o mínimo de inteligência do senador Cid Gomes”, escreveu Eduardo. 

O deputado foi procurado por meio de sua assessoria para explicar por que apagou a postagem, mas não respondeu. Segundos depois, Eduardo fez outro comentário no qual diminui o tom da crítica ao senador e diz que Cid Gomes cometeu uma “atitude insensata”.

Resposta

Irmão de Cid, o ex-governador Ciro Gomes (PDT) respondeu à segunda mensagem do deputado. Por volta das 20h30, Ciro publicou nas redes sociais uma notícia com as declarações de Eduardo, e rebateu com acusações contra a família Bolsonaro. 

“Será necessário que nos matem mesmo antes de permitirmos que milícias controlem o Estado do Ceará como os canalhas de sua família fizeram com o Rio de Janeiro”, escreveu Ciro, que concorreu contra Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2018. 

A resposta de Ciro faz referência à relação do senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ), irmão mais velho de Eduardo, com o miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, morto no dia 9 na Bahia. Em 2005, Flávio propôs que Nóbrega recebesse a Medalha Tiradentes, mais alta honraria do Legislativo fluminense. À época, o miliciano estava preso por suspeita de homicídio

Quando era deputado estadual no Rio, Flávio também empregou a ex-mulher e a mãe do miliciano em seu gabinete. Após a morte de Adriano, ele voltou a se manifestar sobre o caso no Twitter e sugeriu que o miliciano tinha sido torturado. / COLABOROU TULIO KRUSE

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