“Quando é o PMDB, não é mais um crime", diz Dilma

A presidente cassada Dilma Rousseff diz que o Brasil vive uma “era medieval” nos processos legais de combate à corrupção

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

12 Março 2017 | 18h51

Às vésperas de o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, entregar ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedidos de inquéritos contra políticos acusados de receber propina da Odebrecht, a presidente cassada Dilma Rousseff diz que o Brasil vive uma “era medieval” nos processos legais de combate à corrupção. Segundo ela, não há respeito ao devido processo legal ao direito de defesa. 

Ao Estado, Dilma se recusou a falar sobre a iminente publicação da segunda lista de políticos sob suspeita por esquema de corrupção na Petrobrás, mas mencionou “vazamentos seletivos” e “filtros” nas informações de delações. 

Dilma está em Genebra para participar de seminários e debates, usando cada ocasião para defender a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva na campanha presidencial de 2018.

Em entrevista ao jornal suíço “Le Temps”, Dilma afirmou que não iria comentar a situação do presidente Michel Temer. “Eu não me permito comentar um processo judicial em curso, mesmo se a pessoa sob suspeita é aquela que operou um golpe contra mim”, disse. “Não podemos condenar alguém sem um direito de defesa. Eu não vou me permitir agir como a rainha de Alice no País das Maravilhas e dizer: ‘cortem a cabeça’. Cabe ao tribunal julgar”, afirmou. 

A jornalistas, porém, Dilma lembrou de como seu tesoureiro de campanha, Edinho Silva, foi denunciado numa delação da Andrade Gutierrez. “Mas quando ficou claro que o cheque pago havia sido para a campanha do PMDB em nome de Michel Temer, o delator disse que havia cometido um erro”, disse Dilma. 

“Quando incrimina a nós, colocam sobre a mesa. Quando é o PMDB, não é mais um crime. Por isso precisamos olhar bem de perto essas denúncias”, disse.  “Eu digo muito tranquilamente: meu país jamais investigou a corrupção. Sejamos claros: jamais um rico foi para a prisão”. Dilma afirmou que aprovou leis de combate à corrupção. 

Questionada sobre o fato de o marqueteiro de sua campanha, João Santana, estar detido no Brasil e com contas bloqueadas na Suíça, Dilma voltou a negar irregularidades. “Eu o paguei legalmente por seus serviços, no Brasil”, disse. “Se ele recebeu dinheiro fora do Brasil, cabe a ele explicar. O que ele fez com seu dinheiro? Eu não sei”.

Fora da presidência. Entre um evento e outro, Dilma adotou uma rotina bastante diferente de suas viagens ao exterior, enquanto ocupava a presidência. Neste domingo, com um mapa na mão, ela caminhou pelo centro antigo de Genebra. “A vida é bem diferente. Hoje, eu sou uma pessoa normal”.

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