ILUSTRAÇÃO: MARCOS MÜLLER
ILUSTRAÇÃO: MARCOS MÜLLER

Quando a vida imita a ficção: o ano político brasileiro em séries

Política brasileira não deixou de fornecer enredo para tramas

Vera Magalhães, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2017 | 05h00

Houve um tempo, há alguns anos, que um desses testes de internet perguntava se determinado fato bizarro tinha acontecido na vida real ou em House of Cards, dada a quantidade de viradas na política que pareciam saídas de um surto criativo numa sala de roteiristas.

Nessa época, não tão longínqua, era comum comparar o então todo-poderoso Eduardo Cunha a Frank Underwood, protagonista da série original do Netflix. Em 2017, Cunha passou o ano preso e Underwood viveu sua última temporada na telas e amarga um inferno astral fora delas, graças às denúncias de assédio contra o ator Kevin Spacey.

Mas a política brasileira não deixou de fornecer enredo para tramas. Nem de se assemelhar à ficção, num sinal de que a vida, de fato, às vezes imita (e supera) a arte.

Kiefer Sutherland, que se notabilizou na telinha como o imortal Jack Bauer, voltou às séries como o presidente acidental de Designated Survivor. No Brasil de 2017, o presidente Michel Temer, também alçado ao cargo por obra do destino, teve de sobreviver a duas denúncias de corrupção que ameaçavam apeá-lo do cargo.  

Teve ainda espaço para políticos transformados em zumbis, como em The Walking Dead. Aécio Neves, que quase foi presidente da República, termina o ano apeado da presidência do PSDB, tendo escapado do afastamento do mandato graças a uma decisão que dividiu o Supremo Tribunal Federal e arriscado de não se eleger para novo mandato no Senado ou na Câmara.

Coisas bizarras também desafiaram o entendimento dos brasileiros, que, como numa versão tropical do Mundo Invertido de Stranger Things, viram um desfile de coisas esquisitas que incluiu político correndo pela rua com mala de dinheiro e outro que guardava mais de R$ 50 milhões num bunker na Bahia.

Resta saber que tipo de enredo 2018 nos reserva. Se depender da complexidade do cenário eleitoral que se desenha, não haverá Game of Thrones capaz de rivalizar com a política nacional em termos de alianças improváveis, traições e disputa encarniçada pelo poder.

 

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