''''Qualquer movimento de blindagem é espúrio''''

''''Todo detentor de cartão, seja ele membro da família, seja ele presidente da República, será investigado'''', diz tucano

Eugênia Lopes, O Estadao de S.Paulo

14 de fevereiro de 2008 | 00h00

O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) foi categórico ontem ao negar que tenha fechado qualquer tipo de acordo com o governo para fazer uma CPI chapa-branca, que não investigue o uso de cartões corporativos por familiares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Em entrevista ao Estado, o tucano garantiu que todos os que desviaram dinheiro público serão investigados pela comissão, não importa se são deste governo ou do passado.O senhor está se sentindo acuado dentro do PSDB, com as acusações de que fez um acordo à revelia da cúpula do partido?Eu não me sinto acuado dentro do PSDB. Aliás, o partido está apoiando a CPI. Dei ciência ao comando do partido da minha ida ao senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo na Casa.Com quem o senhor falou no partido sobre o encontro com Jucá?Com o senador Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB. Fui ao senador Romero Jucá com um único intuito: demonstrar que a CPI que propus, no dia 28 de janeiro, previa a investigação desde 1998. O governo estava divulgando que a CPI que eu havia proposto era direcionada ao governo Lula. Mas acabaram colocando como acordo o fato de o governo ter compreendido que a dimensão é de uma CPI que quer pegar todos os que desviaram dinheiro público, indistintamente, seja deste governo ou do governo anterior. Desviou dinheiro público, vai ter de repor, vai ter de responder civilmente e criminalmente.Existe um acordo para não investigar o uso de cartões por parentes do ex-presidente Fernando Henrique e do presidente Lula?Esse é um assunto superado. O senador Jucá disse, em determinado momento, que houve um acordo de cavalheiros. Isso não corresponde à verdade. Não acredito que ele tenha dito isso. Se ele disse, efetivamente não correspondeu à verdade, porque todos serão investigados, indistintamente, do começo ao fim. Todo detentor de cartão, seja ele membro da família, seja ele presidente da República, será investigado. A CPI é que vai ditar a dinâmica da investigação: se vai começar pelas contas particulares, se vai começar pelos 11 mil cartões cujos titulares nem sequer conhecemos. Qualquer movimento de blindagem é um movimento espúrio, contra o interesse da sociedade.O senhor já afirmou que prefere uma CPI mista chapa-branca a não ter CPI nenhuma. Continua com a mesma opinião?Essa declaração tem a ver com minha história dentro do Parlamento. Participei de duas CPIs, a dos Sanguessugas e a dos Correios. Ambas eram chapa-branca e tentaram de todas as formas inviabilizar o avanço das investigações. Não conseguiram porque uma CPI mista tem visibilidade, tem acompanhamento da sociedade e, portanto, vamos conseguir avançar na investigação. A sociedade vai poder ver com clareza quem está ali para investigar e quem está ali para acobertar.O senhor não se sentiu manipulado pelo governo?Em hipótese nenhuma. Não sou massa de manobra de ninguém. O que está em pauta agora é o comando da CPI e a linha de investigação. Essa questão de acordo para mim é um assunto superado. O comando da CPI ficar com o PT e o PMDB, sem a participação da oposição, direciona uma investigação pelo lado do acobertamento, da falta de transparência. Se querem realmente investigar, que tenhamos uma composição da direção da comissão dividida entre situação e oposição.

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