Estadão Conteúdo
Estadão Conteúdo

'Qualquer influência externa no PSDB será repudiada', diz Goldman

Questionado sobre possibilidade de Alckmin liderar os tucanos, o presidente interino disse defender candidato com 'papel de unificação'

Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

10 Novembro 2017 | 08h48

BRASÍLIA - Novo presidente interino do PSDB, o ex-governador Alberto Goldman (SP) disse nessa quinta-feira, 8, que não vai permitir qualquer interferência no comando do partido, tanto por parte do governo Michel Temer como por parte do próprio senador Aécio Neves (PSDB-MG), que continua como presidente licenciado da sigla. Goldman assumiu o comando da sigla na tarde dessa quinta, após Aécio destituir Tasso Jereissati.

+++ Goldman combinou 'golpe' com Temer e Aécio, diz deputado

"Eu repudiaria interferências externas em elementos internos. Então, qualquer influência externa na vida do partido será repudiada", rebateu ao ser questionado sobre a possibilidade do Palácio do Planalto tentar interferir na disputa entre o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) e o governador de Goias, Marconi Perillo (PSDB-GO), pelo comando do partido.

+++ Análise: PSDB resolve cometer suicídio coletivo em praça pública

Segundo Goldman, o mesmo valerá para possíveis interferências do próprio senador Aécio Neves, em prol de um dos candidatos. "Ele [Aécio Neves] me conhece. Se ele me colocou aqui, sabe que não haverá interferência [dele] no partido. Comigo aqui, não", afirmou.

+++ Planalto apoia mudança no comando do PSDB para evitar 'divórcio litigioso'

Apesar disso, Goldman negou ter ouvido de Aécio qualquer tipo de relato sobre pressões externas para que Tasso Jereissati deixasse o comando da sigla. "Ele quer que minha posição seja a de garantir a isonomia", explicou. Para tentar conter os ânimos, diante da forma como a saída de Tasso Jereissati foi anunciada, o ex-governador de São Paulo contou que vai tentar reunir Perillo e Tasso para uma conversa nos próximos dias.

+++ Candidatos tucanos disputam votos de 395 correligionários

"Eu vou trabalhar para que haja um processo de convergência no PSDB, para que haja convergência entre os dois, Perillo e Jereissati. Qualquer conflito interno não ajuda. Importante seria o partido ter unidade. Isso faltou ao PSDB nos últimos tempos", disse. "O PSDB desunido não vai ajudar o País. Primeira coisa é fazer as pessoas conversarem. 90% é conversando e 10% é na disputa, o que é democrático. Vou procurar o entendimento", complementou.

+++ Por telefone, FHC teria demonstrado 'perplexidade' com destituição de Tasso

Apesar do discurso pela convergência, Goldman criticou a postura do PSDB nos últimos debates relevantes para o País. "No que depender de mim, teremos posição sobre questões importantes para o País. O povo brasileiro está pensando nos seus problemas, é nisso que temos que pensar como partido", defendeu antes de citar a reforma da Previdência como exemplo. "O PSDB tem que dizer o que pensa [sobre a Previdência]".

+++ ‘Desse jeito, vamos dar a Presidência ao Lula em 2018’, diz Aloysio

Goldman evitou falar sobre um possível desembarque do PSDB da base do governo Michel Temer, algo amplamente defendido pelo seu antecessor, o senador Tasso Jereissati. "Em junho, o PSDB teve a decisão de continuar no governo. Até decisão contrária, que pode acontecer a qualquer momento, PSDB continua no governo. No quadro que estamos, o melhor é conduzir o partido a uma posição de convergência", repetiu.

O novo presidente interino tucano reforçou ainda que seria bom encontrar um candidato com "papel de unificação". A resposta foi elaborada após ser questionado sobre as chances de o atual governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB-SP), querer disputar o pleito, já que é o nome mais forte do partido para as eleições presidenciais de 2018. "Se conseguirmos encontrar uma pessoa para o papel de unificação, é bom", explicou. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.