''''Qualquer erro'''' será fatal à CPMF, admite Múcio

Com poucas horas no cargo, novo ministro das Relações Institucionais procura senadores mais resistentes e evita polêmica com a oposição

Tânia Monteiro e Denise Madueño, O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2007 | 00h00

Depois de assumir as negociações para a aprovação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) no Senado e se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o novo ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro (PTB-PE), deixou clara a preocupação do Planalto com a votação. Chegou a compará-la a um clássico de futebol, no qual "qualquer erro, qualquer jogada mal jogada, pode mudar o resultado para qualquer um dos dois times".Com poucas horas no cargo, Múcio fez questão de procurar os senadores mais resistentes, principalmente do seu partido. Ao fazer discurso de que a CPMF é imprescindível, mesmo respondendo ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que atacou Lula, o ministro evitou polemizar com a oposição, reconhecendo que precisa de seus votos. Elogiando o novo presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), afirmou, diplomaticamente, ter certeza que "ele vai saber separar o discurso político do eleitoral".José Múcio, que assumiu o cargo no dia em que seu partido no Senado rompeu com o bloco governista, avisou que na terça-feira janta com a bancada petebista. "Primeiro tem de cuidar de casa para, depois, poder sair para a rua", comentou ele, pouco antes de telefonar para o rebelde senador Mozarildo Cavalcanti (RR), a quem pediu sua ajuda e abriu as portas de seu gabinete. O novo ministro avisou, no entanto, que discussões para alteração na alíquota da CPMF, como parte de mais uma negociação para atender principalmente aos partidos de oposição, não é com ele, mas com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. "Vou apenas ajudar na conversa política", disse ele, assegurando, no entanto, que todos os acordos já feitos pelo governo serão honrados.Seguem os principais trechos da entrevista coletiva dada ontem por Múcio.EQUIPE"Desde ontem (anteontem) já estávamos informalmente trabalhando, dando continuidade ao trabalho do (ex) ministro Walfrido. Vamos tocar a vida. A equipe é a mesma e os problemas são mais do que conhecidos e vamos enfrentá-los."OPOSIÇÃO"Não tenham dúvida de que mesmo sendo governadores de um partido de oposição, em sabendo dos problemas que enfrentarão (se a CPMF não for aprovada), são parceiros." FHC "Eu gosto muito do modelo americano onde o ex-presidente não critica quem está na gestão. Acho elegante, acho que ajuda o País. E, conhecendo a biografia do presidente Fernando Henrique, que eu tenho na conta de um homem elegante, não acho uma declaração parecida com a sua história, nem que engrandece o grande número de brasileiros que o admira." 13 VOTOS"O discurso do PSDB é esse. Eles têm uma posição firmada de oposição ao governo. O partido, no entanto, é composto de homens responsáveis que conhecem as dificuldades do Brasil e a parcela da sociedade que precisa ser assistida. É com essa esperança que vamos separar o discurso político do discurso com perspectiva eleitoral. Com relação aos 13 votos do Sérgio Guerra (presidente do PSDB), vou me valer de relação de amizade para conversar. O Sérgio é um homem responsável. Tenho certeza que ele vai saber separar os dois discursos."MUDANÇA DE VOTO DA BASE"Vamos separar questões locais, os interesses, as demandas do governo e da Casa, dos riscos de termos R$ 40 bilhões a menos no orçamento. Enquanto tiver espaço para conversar, mesmo com aqueles que têm posições firmadas, acho que temos que tentar convencer."MENSALÃO"Embora eu ache essa matéria absolutamente vencida, a questão é que no período eu era líder do partido. Somente isso." RENAN"Isso é um problema do Senado e lamento pelo constrangimento que ele e sua família estão passando, mas não tem absolutamente nada a ver com o problema da CPMF." DEM"Eu sempre acho que há espaço para conversar. Evidentemente que os Democratas têm uma posição mais firmada, nem por isso eu deixei de procurar os amigos dos Democratas. Liguei hoje (ontem) para o senador José Agripino. Disse que fazia parte das minhas tarefas conversar. Podemos pensar de maneira diferente, mas sem ser de forma ácida."REFORMA TRIBUTÁRIA" O governo está com a reforma pronta para ser enviada dia 30. A preocupação de alguns companheiros da base aliada é que nós venhamos a ter problemas por suscitarem dúvidas diante da necessidade de aprovação da CPMF. O presidente ainda está avaliando (a data) mas ela não está em banho-maria. Estamos precisando de todas as reformas. Essa é que está mais a prumo. Ela vai passar por uma grande discussão. Só que ninguém vai esperar que em uma semana ela esteja pronta. Isso nós vamos atravessar um bom pedaço do ano que vem. Todos conhecem a necessidade, mas na hora em que você vai discutir o mérito, começa cada um vendo os interesses dos seus Estados, da sua região."

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