Reprodução Facebook via AFP
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Qual concorrente ao Palácio do Planalto teria a coragem do presidente ucraniano?

Num país onde intelectuais, artistas e partidos de esquerda querem entregar a Amazônia para a administração da ONU, de militantes ambientais ou do Rei da Noruega, nossas possibilidades, nessa comparação com Zelenski, são bem escassas

J.R. Guzzo, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2022 | 15h45

A invasão da Ucrânia por tropas da Rússia, com todos os seus desdobramentos em matéria de destruição, violência extrema e martírio da população civil, permite uma comparação muito interessante com o Brasil neste ano eleitoral de 2022. É simples: separe, um por um, todos os candidatos à Presidência da República, e veja se algum deles, qualquer deles, seria capaz de se comportar como o presidente Volodmir Zelenski está se comportando na guerra contra o seu país. Zelenski não fugiu. Não se rendeu. Não renunciou. Não está de quatro em busca de um acordo com os russos. Ficou no seu cargo, assumiu as suas responsabilidades e colocou um colete à prova de bala para enfrentar o inimigo. Corre risco de vida, mas até agora teve a coragem de cumprir suas obrigações.

Qual dos candidatos presidenciais brasileiros, honestamente, você vê fazendo a mesma coisa? Num país onde as classes intelectuais, os artistas e os partidos de esquerda querem entregar a Amazônia para a administração da ONU, de militantes ambientais ou do Rei da Noruega, as nossas possibilidades, nessa comparação com o presidente da Ucrânia, parecem bem escassas. Pense em cada candidato; veja, com serenidade, quem é capaz de fazer o que o presidente Zelenski está fazendo. O Brasil, por sorte, não foi invadido pela Rússia, nem por ninguém, e não vai ser. É realmente um alívio.

Aqui um grupo de candidatos soltou uma valente exigência, a 15.000 km de distância dos combates, para que o Brasil assuma uma posição “mais rigorosa” contra a Rússia, além da declaração em favor da paz que já fez na ONU; vamos ver o que faria cada um deles quando a primeira bomba explodisse a um quilômetro do Palácio do Planalto. O PT, por sua vez, conseguiu o feito de lançar duas notas oficiais sobre o mesmo assunto, uma depois da outra e com a segunda desmentindo a primeira. A nota inicial condenava o “imperialismo americano”. A que veio em seguida assumiu uma neutralidade vazia, tola e pusilânime. O companheiro Maduro, na Venezuela, hoje a estrela-guia de Lula, foi mais honesto – disse logo que é a favor da invasão e pronto.

O Brasil de hoje é o país da “engenharia política”, dos acordos Lula-Alckmin, do “Centrão” e por aí afora. Aqui um ministro do STF tem medo do barulho dos aviões da FAB que, segundo ele, “quebram os vidros” do seu palácio, mesmo que ninguém tenha visto até hoje nem um pedaço desses vidros quebrados. O presidente Zelenski, realmente, parece viver em outro planeta.

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