Quadro revela democracia forte, afirma Gregori

A atual situação do País, que assiste ao desenrolar de um escândalo de corrupção sem precedentes em meio a uma crescente insatisfação popular, deixará marcas na democracia brasileira, sem, no entanto, ameaçá-la, dizem figuras de destaque no cenário político pós-regime militar. "Não tenho dúvidas de que não haverá abalos, porque nosso alicerce democrático é muito forte", diz o jurista José Gregori, um dos líderes do movimento de redemocratização, entre 1984 e 1985.

JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

15 de março de 2015 | 02h02

"A situação atual não deve ser julgada pelo lado negativo, mas pelo lado positivo do fortalecimento das instituições", diz Gregori. "Desde dom João 6.º nunca tantos empresários importantes estiveram presos como agora, com a Lava Jato, que investiga a corrupção na Petrobrás. Não por questões políticas ou por ideologia, mas porque a lei, vontade da maioria, determinou a prisão. Até hoje a corrupção era de mão única. Só se conhecia quem aceitava o dinheiro, não quem o oferecia." Prossegue Gregori: "Desde dom João 6.º nenhum regime permitiu que pessoas importantes como o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil, no primeiro governo de Lula) passassem perto da prisão".

Para o deputado Benito Gama (PTB-BA), que presidiu a CPI de PC Farias, cujo resultado levou ao impeachment de Fernando Collor, a democracia foi testada e aprovada. "Tivemos a Constituinte, a eleição para presidente, o impeachment, o Plano Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal. O Brasil se tornou uma democracia forte". Benito Gama acha que um impeachment, hoje, têm poucas chances de prosperar. "Com o desgaste político da presidente, há oportunidade de as pessoas se manifestar, tudo isso faz parte da democracia."

Ele lembra que durante o processo de impeachment de Collor, o povo foi para as ruas. Mas por trás do movimento estavam políticos como Ulysses Guimarães, Fernando Henrique Cardoso, Lula, além da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Contra Dilma não há instituições ou políticos importantes.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.