Quadrilha que fraudava licitações desviou R$ 400 mi no AM

Um esquema comandado pelo deputado estadual Antônio Cordeiro (PPS), nos últimos anos chegou a desviar cerca de R$ 400 milhões dos cofres públicos no Amazonas, por meio de licitações superfaturadas, foi desbaratada nesta terça-feira, em Manaus, pela Polícia Federal. Foram detidas 20 pessoas envolvidas no esquema, entre elas o ex-secretário de Fazenda no governo passado, Alfredo Paes, e o prefeito do município de Presidente Figueiredo, Romero Mendonça (PFL). A operação, batizada de Albatroz em alusão a um jatinho Citation usado pela quadrilha para transportar o dinheiro especialmente para o Sul do País, começou nas primeiras horas da manhã. Antes do meio-dia, os 20 envolvidos já se encontravam detidos na sede da Polícia Federal. Somente o deputado Antônio Cordeiro não foi preso, por ter imunidade parlamentar. Antônio Cordeiro, por sinal, é apontado pela PF como o chefe da quadrilha. Isso foi comprovado com a apreensão, na casa do deputado, de vários computadores, dezenas de artigos importados - a maioria bolsas feminina de marca - e R$ 2 milhões em dinheiro, além de cheques no valor de aproximadamente R$ 1,5 milhão. As investigações revelaram que o jato do tipo Citation, avaliado em aproximadamente R$ 6 milhões, era utilizado pela quadrilha para transportar grandes somas. O destino variava entre São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Uruguai, onde era feita a lavagem do dinheiro da quadrilha. O esquema funcionava com o envolvimento de funcionários públicos lotados na Comissão Geral de Licitação do Estado. O presidente da comissão, João Gomes Vilela, e o gerente de operações, Cristiê Jéferson dos Anjos, foram detidos. Eles informavam à quadrilha de uma licitação em andamento, que providenciava a abertura de uma empresa fantasma para disputar, e vencer - de novo com a ajuda dos funcionários - pelo preço acima do mercado. A Operação Albatroz mobilizou, ao todo, 174 agentes da Polícia Federal de vários Estados. Além dos 20 mandados de prisão, a PF cumpriu 32 mandados de busca e apreensão, através dos quais reuniram farta documentação, armas e dinheiro. "Tudo agora será enviado para a polícia técnica", disse o delegado da Polícia Federal, Wagner Castilho. Segundo ele, existe a possibilidade de o deputado Antônio Cordeiro também ter sua prisão decretada. "Depende apenas de a Assembléia Legislativa do Amazonas abrir mão do direito a imunidade. Se isso acontecer, ele será preso como todos os outros", explicou. Enquanto isso não acontece, Antônio Cordeiro está intimado para depor na Polícia Federal até a próxima sexta-feira. Os envolvidos no esquema estão sendo acusados por lavagem de dinheiro, corrupção, sonegação fiscal, tráfico de influência, evasão de divisas, crimes eleitorais e contra a lei de licitações, formação de quadrilha e improbidade administrativa.

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