Quadrilha presa em Rondônia desviou R$ 70 mi dos cofres públicos

A Polícia Federal desmontou nesta sexta-feira, com a Operação Dominó, uma quadrilha integrada por dirigentes dos três Poderes de Rondônia, acusada de corrupção, fraude, improbidade administrativa, venda de sentença e lavagem de dinheiro, entre outros crimes. Liderado pelo presidente da Assembléia, José Carlos Oliveira (PSL), o grupo é acusado de ter provocado um rombo nos cofres públicos de pelo menos R$ 70 milhões.Também foram presos o presidente do Tribunal de Justiça do Estado, desembargador Sebastião Teixeira Chaves, o vice-presidente do Tribunal de Contas, Edilson de Souza Silva, e o ex-procurador-geral de Justiça José Carlos Vitachi, além de um juiz e mais quatro dirigentes da Assembléia. Todos são suspeitos de um conluio para assaltar os cofres públicos e burlar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).Candidato à reeleição, o governador Ivo Cassol (PPS) foi o único chefe de poder a ficar solto, embora seu nome tenha aparecido em vários momentos da investigação, ora como vítima, ora como suspeito. Mas o candidato a vice em sua chapa, Carlos Magno Ramos, não teve a mesma sorte e entrou na lista de 23 presos.?Em mais de 30 anos de atividade policial, nunca tinha visto esquema de corrupção tão extenso e tão ramificado nas instituições da máquina pública?, observou o diretor executivo da PF, delegado Zulmar Pimentel, que costuma dar o nome das operações. Pimentel veio a Rondônia acompanhar a operação e a remoção para Brasília dos magistrados e membros do Ministério Público com prerrogativa de foro no Superior Tribunal de Justiça (STJ), nove no total.Rede do crime A central das fraudes funcionava na Assembléia e envolvia 23 dos 24 parlamentares. Uma das fraudes constatadas consistia em desviar recursos públicos por meio de uma folha salarial paralela com nomes de servidores fictícios ou laranjas. O dinheiro ia para a conta dos próprios parlamentares, de suas empresas, assessores ou familiares. No período de dois anos, entre junho de 2004 e abril de 2005, o esquema drenou R$ 14,9 milhões dos cofres da Assembléia.Os fraudadores ainda tomavam empréstimos consignados na rede bancária em nome de servidores do Legislativo. Quatro bancos são investigados sob suspeita de terem facilitado o desvio, que chega nesse caso a R$ 7,3 milhões. A Assembléia é que pagava a conta. O grosso das fraudes, porém, se estendia a superfaturamento de obras e pagamento por serviços não realizados, além de emissão de passagens áreas para parentes. Uma empresa de factoring lavava os recursos da quadrilha.

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