Quadrilha em licitações de lixo está sob investigação

A Polícia Civil e o Ministério Público Estadual investigam, em Ribeirão Preto, uma suposta quadrilha, formada por funcionários da empresa Leão Leão e até por servidores públicos, que estaria manipulando licitações públicas em, no mínimo, dez cidades paulistas, incluindo a capital.Mais de 40 horas de diálogos telefônicos foram gravadas nos últimos cinco meses. A investigação começou a partir da descoberta de que o empresário Rogério Tadeu Buratti, ex-secretário de Governo de Antônio Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto, tinha em seu nome a empresa BBS Consultores Associados Ltda., com endereço fictício em Jardinópolis, que seria usada na renovação de contrato de loterias da Gtech com a Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 650 milhões e que envolvia Waldomiro Diniz - Buratti receberia R$ 6 milhões de propina.Como Buratti tinha muitos contatos com outras pessoas do grupo Leão Leão e afastou-se da empresa após o caso Gtech, o MPE solicitou à Justiça o pedido de interceptação telefônica de algumas pessoas. "Queríamos saber o que Buratti estava fazendo por aqui", disse o promotor Daniel José de Angelis, um dos integrantes do Grupo de Atuação Especial Regional para Prevenção e Repressão ao Crime Organizado (Gaerco), que apura o caso.O promotor Sebastião Sérgio da Silveira, outro do Gaerco que atua no caso, confirmou a existência da escuta telefônica, mas que, formalmente, não existe nenhuma pessoa acusada, apenas suspeitas. "Estamos no trabalho de apuração e, se houver denúncia contra alguém, será posterior à investigação, inclusive ouvindo todos os envolvidos", disse Silveira.Além das prefeituras de São Paulo (administrada pelo PT), Sertãozinho (PSDB) e Ribeirão Preto (PT), outras sete serão investigadas: Barretos (PMDB), Caçapava (PMDB), Monte Alto (PSDB), Matão (PSDB), Jaboticabal (PT), Franca (PT) e Araraquara (PT).

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.