PV pressiona Alckmin por cargos e põe governabilidade em xeque

Com maior musculatura e poder de barganha, verdes impõem condições para adesão em futuro governo tucano

Roberto Almeida, de O Estado de S.Paulo,

23 de novembro de 2010 | 20h12

SÃO PAULO - Com poder de barganha incrementado, o PV paulista apresentará ao governador eleito Geraldo Alckmin (PSDB) 21 diretrizes de gestão para referenciar sua adesão ao novo governo tucano. Para referendar seus espaços, os verdes - que postulam as secretarias do Esporte e do Meio Ambiente - deixarão claro que a governabilidade de Alckmin na Assembleia está em jogo.

 

A pressão verde tem como base a possível migração do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), para o PMDB. Deputados estaduais do DEM, que entrem no vácuo de Kassab, podem engrossar o coro da oposição. O resultado da equação é quórum suficiente para a instalação de CPIs na Assembleia.

 

O PV paulista tem o vento a seu favor por ter se tornado uma espécie de fiel da balança ao conseguir, na carona da ex-presidenciável verde Marina Silva, eleger nove deputados estaduais - três a mais que 2006. Caso Alckmin não aceite pontos cruciais do documento, os verdes prometem liberar sua bancada e render dores de cabeça ao tucano.

 

Segundo um membro do PV, os pontos da agenda verde precisam ser "razoavelmente incorporados" para "se discutir como a governabilidade se dará". A adesão ao governo tucano, afirma, não é dada como certa, já que o partido tem no horizonte político o projeto de eleger Marina presidente em 2014. Por isso, ventila-se manter a posição de independência.

 

Secretariáveis

 

Entre os nomes que os verdes devem sugerir para as secretarias, estão o do deputado estadual Chico Sardelli, para Esportes, e do ex-candidato ao governo paulista, Fábio Feldmann, para o Meio Ambiente.

 

Sardelli não quis comentar o processo de adesão dos verdes ao governo tucano. Reafirmou, apenas, que a entrega do documento é procedimento padrão da legenda. "Não abrimos mão de nossas prerrogativas", resumiu o deputado.

 

Feldmann, por sua vez, está fora do circuito político desde o fim das eleições estaduais. Ele participa da preparação da Rio +20, a nova conferência da Organização das Nações Unidas, que pretende revisar a Eco 92 no ano que vem. Ontem, o verde estava em viagem a Londres e não respondeu ao recado deixado pela reportagem.

 

Dentro do PV paulista, o nome de Feldmann é considerado natural para a pasta do Meio Ambiente de Alckmin. Contudo, o ex-candidato, que voltou à iniciativa privada, ainda não respondeu se gostaria de trabalhar no poder público. Caso Feldmann não tope a missão, o PV já prevê uma disputa interna para decidir quem deve assumir a tarefa.

 

"Nós não estamos discutindo nenhum nome mesmo", amenizou o presidente do PV paulista, Maurício Brusadin. "Mas é evidente que o nosso maior desejo é o espaço do Meio Ambiente, porque temos maior qualificação para isso", anotou.

 

De acordo com Brusadin, o documento será apresentado a Alckmin nesta sexta-feira, 26, pela manhã. "Queremos entender se o próximo governo vai ter uma matriz modernizante", observou.

 

Requisitos

 

Em seu documento, os verdes pedem que o próximo governo estadual inove em suas diretrizes. A carta contém "compromissos estratégicos com o futuro de São Paulo" e uma "agenda legislativa comum". O PV paulista condiciona sua adesão à gestão tucana, por exemplo, a um projeto que inove o conceito do Bolsa-Família, à criação de um "atlas da criatividade de São Paulo" para a indústria. E ordena que Alckmin apoie a lei que proíbe uso de sacolas plásticas e outra que elimine o consumo de lâmpadas incandescentes no Estado.

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