PV inaugura 'Casa de Marina', projeto de comitês domiciliares

Em seu primeiro ato de campanha, candidata foi a casa de eleitor na zona sul de São Paulo

Anne Warth, da Agência Estado / SÃO PAULO

06 Julho 2010 | 18h05

Em seu primeiro dia de campanha eleitoral, a candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, deixou de lado caminhadas e comícios e optou por inaugurar uma "Casa de Marina", iniciativa do "Movimento Marina Silva" com o objetivo de transformar casas de eleitores em comitês mobilizadores nos bairros.

 

A primeira casa é de Adriano Prado Costa Silva, promotor de vendas de 27 anos, que se surpreendeu com a notícia de que receberia Marina e seu vice, Guilherme Leal, em sua casa, em Campo Limpo, zona sul de São Paulo. Toda a família - sete pessoas moram na casa: ele, o avô, mãe, tio, primo, prima e sobrinho -, além de amigos e outros parentes, se reuniu para receber a candidata, que chegou às 15h30. A escolha da casa de Adriano foi uma indicação da advogada Marcela Moraes, 29 anos, integrante do "Movimento Marina Silva". "Adriano é superengajado e empolgado. Ele tem muita vontade de participar", disse.

 

Na casa, o avô, Manoel Gonçalves Prado, de 84 anos, cantou um trecho da música, "Marina" de Dorival Caymmi. Ele adaptou os versos "Marina, morena, Marina, você se pintou", uma vez que a candidata, alérgica, não usa maquiagem. "Marina você não se pintou", disse Manoel. Ao que Marina respondeu, descontraída: "Até porque estou feliz com a beleza que Deus me deu." Manoel, que não tem mais a obrigação de votar, disse que fará questão de votar em Marina.

 

Ao lado das crianças da família e com Catarina, de um mês, no colo, Marina disse não haver metas para a inauguração de casas como essa. "Se nós colocarmos uma meta, vamos reduzir o processo e vai deixar de ser um movimento da sociedade. Queremos que a coisa seja autêntica", disse ela. "Temos metas em relação ao PV, à quantidade de cidades que eu gostaria de visitar, mas a sociedade, espontaneamente, se Deus quiser, vai extrapolar qualquer meta que nós fôssemos capazes de colocar."

 

Casa de eleitores

 

O projeto "Casa de Marina" tem como objetivo tornar casas de eleitores em referência e local de encontro para mobilizar potenciais eleitores. "Vamos disponibilizar na internet o 'kit Casa de Marina', com um conjunto de instruções sobre como fazer seu próprio material de campanha e orientações jurídicas sobre a atuação do local", explicou Marina. "O investimento é do próprio cidadão. Cada um copia a arte no site e faz sua camiseta, banner e adesivo. Também é uma forma de economizar recursos. Não tem o caráter de um comitê oficial de campanha, mas tem um veio mobilizador muito forte e rápido."

 

Na casa de Adriano, por exemplo, foi a própria família quem pagou a impressão de banners da campanha. "Em casa somos todos eleitores de Marina", disse ele. Adriano se filiou ao PV uma semana depois de Marina migrar para o partido. Antes, ele era militante do PT. "Eu estava desanimado com a política, mas voltei porque Marina é uma boa opção", disse ele. "Por uma sorte e felicidade imensas, escolheram logo a minha casa para ser a primeira 'Casa de Marina'", comemorou, emocionado.

 

A candidata negou que a agenda inicial, no Rio, com o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), candidato ao governo fluminense, teve de ser cancelada por causa da votação do projeto do Código Florestal na Câmara, da qual Gabeira participaria.

 

Marina disse estar feliz com os últimos resultados de pesquisas eleitorais, nas quais aparece na faixa dos 10% das intenções de voto. "A partir de agora entraremos na disputa e o jogo está mudando. Já quebramos a eleição plebiscitária. Existem três candidaturas e isso, em si, já é uma grande conquista", afirmou.

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