Pucinelli: Dilma também terá de ajudar outros prefeitos

O governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, deixou nesta terça-feira a presidente Dilma Rousseff numa saia justa, ao defender que as medidas que vierem a ser adotadas para favorecer o recém-eleito prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, devem se estender também aos demais municípios e Estados. Se houver tratamento diferenciado, Puccinelli prevê que haverá um "amotinamento geral" por parte dos gestores desprestigiados.

ROSA COSTA, Agência Estado

30 de outubro de 2012 | 16h57

No dia seguinte à sua eleição, Haddad obteve da presidente Dilma Rousseff a promessa de renegociar a dívida de São Paulo com a União. "A ajuda à prefeitura de São Paulo deve ser estendida a todas as demais. Senão haverá amotinamento geral", prevê o governador.

Ele cita a situação de Alagoas, Amazonas, Pernambuco e de seu Estado como exemplos igualmente merecedores dos benefícios do governo federal. "É uma questão de cidadania, é uma questão de Federação. Ou somos uma Nação confederada ou somos os outros", defendeu, após falar com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), sobre matérias que tramitam no Congresso, como a divisão dos royalties do petróleo e a partilha do Fundo de Participação dos Estados (FPE). "Viemos suplicar que a mãe olhe para todos os filhos", comparou.

O governador disse, ironicamente, que gostaria de ser o prefeito petista, eleito com o apoio de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Eu gostaria de ser o prefeito de SP, estou com inveja, com ciúme do prefeito", afirmou. Ele disse entender o interesse do Executivo em atender a "quem queira mais". "Mas tem de dar o básico para que Estados e municípios não morram de fome, tem de ter para todos e não está ocorrendo para todos em igualdade de condição".

Filiado ao PMDB, maior partido de sustentação do governo, o governador de Mato Grosso do Sul disse que a atenção aos entes federativos não pode ser tratada como questão partidária. "Não existe partido para dar educação, saúde, educação e segurança para uns brasileiros, sim, e pra outros, não. É suprapartidário", defendeu. Além da renegociação da dívida dos Estados, Puccinelli entende que devem ser revistos os critérios da Lei Kandir, a distribuição do FPE "da forma como a Constituição determinou" e a divisão dos royalties do petróleo para todos os Estados.

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