Puccinelli quer fim de diálogo individual do PMDB com Lula

Incomodado com a disputa interna no PMDB por cargos no governo federal, o governador eleito de Mato Grosso do Sul, o peemedebista André Puccinelli, quer pôr um ponto final na interlocução individual de parlamentares do partido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Puccinelli está pedindo uma reunião urgente e objetiva dos sete governadores do PMDB com o presidente Lula para discutir uma agenda nacional. "Não quero saber de ministério, mas de uma pauta de interesse do País. O mais correto agora é largar o fisiologismo", afirmou em entrevista à Agência Estado. Ele defende a participação, no encontro com Lula, também do presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), dos principais líderes no Congresso e dos candidatos peemedebistas às presidências da Câmara e Senado. O governador, que assumirá um Estado administrado pelo PT nos últimos oito anos, discorda da estratégia de Lula, que vem conversando individualmente com parlamentares do PMDB sem convocar a direção partidária para uma interlocução institucional. Nisso, a posição de Puccinelli coincide com a de Temer, que nesta terça-feira voltou a se queixar da exclusão. "Por que eles vão lá, no Planalto, sozinhos?", indagou o governador, citando, por exemplo, nomes dos senadores Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AP). "O PMDB precisa atuar em conjunto e não ter dois grupos", continuou.Na reunião dos governadores do PMDB com Temer na próxima sexta-feira, em Florianópolis, André Puccinelli vai propor uma agenda comum que inclui, pelo menos, três propostas para serem discutidas com Lula, que são do interesse de governadores de outros partidos: a partilha das contribuições da União com os Estados, renegociação das dívidas e revisão de pontos da Lei Kandir. O peemedebista está assustado com o quadro de endividamento do seu Estado - o terceiro no ranking nacional - e prevê que, se não houver ajuda do governo federal, será impossível fazer investimentos e ajudar no crescimento do País. Na sua avaliação, o PMDB deve fixar a discussão em torno de propostas, mesmo porque, "se houver uma pauta nacional, os governadores não deixarão de contribuir". "Eu não quero cargo para minha filha, eu não me chamo Sarney", ironizou Puccinelli, numa referência às especulações de que a senadora Roseana Sarney irá para um ministério. Derrotada na eleição para o governo do Maranhão, ela deve se filiar ao PMDB e entrar na cota do partido na composição do futuro ministério.

Agencia Estado,

14 de novembro de 2006 | 21h51

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