Puccinelli desiste de disputar o Senado e continua no governo de MS

Com desistência, vice deve ser a candidata do PMDB à vaga no Congresso; para o PT, partidos agora podem decidir apoiar Delcídio

Guilherme Soares Dias, especial para o Estado

04 de abril de 2014 | 14h41

O governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), anunciou nessa quinta-feira, 3, que deve permanecer no cargo e não vai disputar uma vaga ao Senado neste ano. Com isso, a candidata ao Senado na chapa do partido deve ser a vice-governadora Simone Tebet (PMDB), filha do ex-senador Ramez Tebet, que morreu em 2006. Na avaliação do PT, a desistência deve trazer mais partidos para a chapa do senador Delcídio do Amaral (PT), que deve disputar o governo com o ex-prefeito de Campo Grande Nelson Trad Filho, pré-candidato do PMDB.

Em nota, Puccinelli diz querer terminar o mandato. "Fui eleito para governar Mato Grosso do Sul e cumpro essa missão com humildade. Por isso, comunico a todos os sul mato-grossenses que atenderei a vontade da maioria da população, permanecendo no cargo de governador até 31 de dezembro de 2014", informou. De acordo com a assessoria do governo do Estado, Puccinelli descartou, em entrevista à imprensa local, disputar a prefeitura de Campo Grande em 2016 - ele já foi prefeito da cidade entre 1996 e 2004 - e afirmou que deve criar uma fundação para apoiar a capacitação profissional de jovens.

Para o presidente do PT-MS, o prefeito de Corumbá, Paulo Duarte (PT), a consequência do anúncio é a mudança em relação aos partidos que estariam do lado do PMDB na eleição. "O cenário vai mudar. Nas conversas feitas com alguns partidos, eles diziam ter mais compromisso com Puccinelli do que com Trad Filho. Dessa forma, vamos tentar trazê-los para nossa chapa", diz, sem revelar quais seriam esses partidos.

Duarte afirma que o partido tenta ver a notícia sem "euforia", mas ressalta que a desistência do governador de Mato Grosso do Sul favorece a chapa do PT. O partido articula para lançar o deputado federal Reinaldo Azambuja (PSDB) ao Senado. "Favorece a candidatura dele, pois é sempre muito difícil enfrentar um governador", considera. O presidente do PT-MS lembra que ainda há setores do partido contrários a aliança com o PSDB, mas acredita que a chapa será fechada com a presença dos tucanos.

O presidente do PMDB-MS, deputado estadual Junior Mochi, admite que a saída do governador da disputa é uma "perda política grande". "Não só pelos índices de pesquisa de opinião pública que o colocava como favorito, mas também como elemento agregador na classe política", diz. Mochi lembra, no entanto, que Simone Tebet já era pré-candidata ao Senado e que a possibilidade de Puccinelli concorrer ao cargo só surgiu 40 dias atrás. "Não contávamos com ele, mas, claro, que teria prioridade se quisesse ser candidato", afirma.

Mesmo com Puccinelli fora da disputa, o presidente do PMDB-MS afirma que o governador continuará trabalhando pelas candidaturas de Trad Filho e Simone. "Ele continua na articulação política", diz.

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