Público prefere shows à política no 1º de Maio

Quase 1 milhão de pessoas lotaram na manhã desta segunda-feira, 1º de maio, a Praça Campo de Bagatelle, na zona norte de São Paulo, nas comemorações do Dia do Trabalhador, promovido pela Força Sindical. O ato, que segue até o final da tarde, reuniu opositores do governo Luiz Inácio Lula da Silva que só não transformaram a festa num grande palco político porque a maioria do público presente estava mais interessado nas atrações musicais, do que nos discursos.Quem puxou o tom da festa foi o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, que disse não haver motivos para comemoração como tem pregado o presidente Lula em seus discursos."O presidente Lula anda no mundo da lua, ou está viajando muito e não conhece a história do Brasil. Os empregos que foram criados foram empregos regulamentados, pessoas que estavam na informalidade, e passaram a ter carteira assinada. O salário mínimo de R$ 350 foi uma conquista das centrais sindicais, uma conquista das categorias, e o Lula fica capitalizando o que nós fizemos", atacou Paulinho."Vamos tratar da questão do imposto, porque o brasileiro nunca pagou tanto imposto. Vamos falar dos juros, porque os juros nunca estiveram tão altos, fazendo com que não tenha produção, e sem produção não tem emprego. E vamos criticar muito a política econômica do governo Lula", respondeu o presidente da Força, ao ser questionado sobre qual seria o discurso para a festa do 1º de Maio.ShowsMas o público mesmo só queria saber de Felipe Dylon, Wanessa Camargo, Chitãozinho & Xororó e outras atrações musicais que fizeram o ato custar R$ 2,2 milhões. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PFL), foi uma das vítimas do desinteresse político do público presente. O prefeito passou pelo evento por volta das 11 horas e entre um show e outro foi apresentado por Paulinho para a platéia. Ao ser anunciado ao microfone foi vaiado e acabou fazendo um discurso relâmpago que durou 10 segundos: "Boa festa para todos. Muita tranqüilidade. E um show excelente. O 1º de maio é o nosso dia, o Dia do Trabalhador."O ex-governador e pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, que tinha presença confirmada desmarcou sua ida um dia antes. "Ele me ligou ontem e disse que tinha compromissos de campanha fora do Estado", afirmou Paulinho.Na platéia, com o calor forte que fez pela manhã e a grande quantidade de pessoas, foram registradas até as 11 horas, 160 casos de desmaio. Durante o dia serão distribuídos prêmios para os trabalhadores: serão sorteados cinco apartamentos e 10 carros zero quilômetro.

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