Público pode participar de projeto da National Geographic

Objetivo é rastrear passos de indígenas, mas voluntários podem fazer exame de DNA.

BBC Brasil, BBC

23 de agosto de 2007 | 08h33

Pelo menos 360 brasileiros já participam como voluntários de um projeto da National Geographic que está usando a genética para explicar como a espécie humana povoou o planeta. No total, já foram analisadas amostras de DNA de 220 mil voluntários e a expectativa é que esse número chegue a 500 mil ao fim do projeto, em 2010. O principal objetivo da sociedade científica é analisar o DNA de populações indígenas e tradicionais, consideradas "chave" porque, por terem se misturado menos com outros povos, carregam informações importantes sobre os antepassados mais antigos da humanidade tanto no seu material genético como no seu patrimônio lingüístico e cultural. Mas, assim como os 360 brasileiros, pessoas que não pertencem a povos tradicionais, nativos ou indígenas, também poderão participar do projeto, comprando um "kit de genealogia" no site do Projeto Genográfico da National Geographic. Interessados podem fazer dois tipos de exame: o que analisa o DNA mitocondrial (que rastreia a linhagem materna) e o que analisa o cromossomo Y (para a linhagem paterna). Cada exame custa US$ 99 (cerca de R$ 200,00).Segundo a entidade, o projeto não tem fins lucrativos e a renda obtida será revertida para um fundo que financiará futuras pesquisas de campo e projetos educativos e de preservação cultural de povos indígenas.O professor universitário José Paulo de Araújo, de 39 anos, começou comprando um kit para testar o seu DNA mitocondrial. Quando recebeu o resultado, que revelou uma ancestral africana do lado materno, ele decidiu fazer também o do cromossomo Y, que revelou um ancestral paterno do Oriente Médio."Fico feliz por saber mais (sobre as minhas origens)", diz o carioca que, pela aparência, costuma ser identificado como "branco". "É bom saber que eu pertenço a uma comunidade maior, a uma cultura, a uma história."Os testes são feitos pelo laboratório Family Tree DNA, que, embora fique nos Estados Unidos, tem um brasileiro, Max Blankfeld, entre os seus sócios.Segundo Blankfeld, o Family Tree DNA já fez 220 mil exames para a National Geographic. "Se continuar nesse ritmo, deve chegar a 500 mil até 2010."O Family Tree DNA está conduzindo um projeto paralelo com os seus clientes brasileiros para rastrear as origens da população do Brasil. Todas as pessoas que compram o kit da National Geographic ou têm seu DNA testado no laboratório são convidadas a participar do Projeto Brasil.Até agora, 81 brasileiros concordaram em fazer parte e, embora se trate de uma amostragem pequena e direcionada, os resultados são compatíveis com estudos genéticos da população brasileira, segundo o coordenador do Projeto Brasil, Ricardo Oliveira.Eles mostram, por exemplo, uma predominância de cromossomos Y (que indicam a ancestralidade paterna) europeus e uma maior distribuição do DNA mitocondrial entre ancestrais maternas indígenas, africanas e européias.Ricardo Oliveira acredita que o projeto possa ajudar a desvendar "o DNA dos bandeirantes" ou de povos ainda mais antigos que deram origem à população brasileira. "A linha do haplogrupo A (conjunto de seqüências genéticas encontrado em alguns brasileiros) tem probabilidade de ser a linha tupi histórica", diz Oliveira.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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