Público foi bem menor do que o esperado nos 3 eventos

Expectativa era de que Lula atraísse 30 mil pessoas, mas platéia foi de 10 mil

Clarissa Thomé e Márcia Vieira, O Estadao de S.Paulo

08 de março de 2008 | 00h00

O público que compareceu ao lançamento das obras do PAC ficou muito aquém das 30 mil pessoas esperadas. Menos de 10 mil foram aos três eventos, segundo a Polícia Militar. Somente no Complexo do Alemão a população pareceu mobilizada: as pessoas começaram a chegar às 6 horas, três antes do horário, e houve distribuição de camisas, bandeiras e bolas brancas. Os organizadores conseguiram atrair 7 mil pessoas - número próximo das 10 mil estimadas. Em Manguinhos e na Rocinha menos de 1.500 ouviram os discursos do presidente Lula, somando o público dos dois locais.No Alemão, o comício se deu em ritmo de carnaval, ao som da bateria da Imperatriz Leopoldinense, escola de samba da região. Toda a área no entorno do palanque presidencial foi cercada por alambrados. Sessenta homens da Brigada de Infantaria Pára-Quedista do Exército, vestidos à paisana e desarmados, impediam que pessoas driblassem as cercas.A um quilômetro de distância do palco, moradores eram revistados e submetidos ao detector de metais. Bebidas e alimentos foram confiscados. A revista rigorosa se repetiu nas outras duas favelas. O público demorou a chegar à Avenida Leopoldo Bulhões, em Manguinhos, onde Lula era esperado às 11 horas. Às 11h15, diante de 200 pessoas, o locutor pediu que os moradores se aproximassem do palanque. Precisou fazer mais dois apelos. Seis mil pessoas eram aguardadas em Manguinhos, mas a estimativa da PM é que 700 pessoas assistiram ao discurso de Lula no palanque montado na avenida, conhecida como Faixa de Gaza pelo alto índice de violência. Reinaldo Alentejo, membro da comissão de moradores que vai acompanhar as obras, minimizou a falta de um público mais expressivo. "Mas hoje é sexta-feira, dia de trabalho, né? Se fosse fim de semana teria mais muito mais gente."A Rocinha era o local em que Lula deveria falar para o maior público - a estrutura estava prevista para 14 mil pessoas, mas só 700 apareceram para prestigiar o presidente. O acesso restrito pode ter atrapalhado. As pessoas tinham de caminhar cerca de seis quilômetros para chegar à única entrada. Em nenhuma das três favelas houve incidentes envolvendo traficantes. Em Manguinhos, moradores diziam que os bandidos havia decidido se "entocar" e evitaram até mesmo o uso de radiocomunicadores. Na Rocinha, moradores disseram que a favela estava "em paz" desde quarta-feira. A visita de Lula atrapalhou a rotina da favela. O trânsito foi fechado e os moradores tinham de subir o morro a pé.A segurança do presidente nas favelas foi marcada pela discrição dos agentes, que evitaram a exposição de armas. O policiamento ostensivo ficou por conta da Polícia Militar, que destacou mil homens para reforçar a segurança das três favelas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.