Público fica acima da expectativa em Aparecida

O feriado da Padroeira do Brasil reuniu 170 mil fiéis em Aparecida. Até domingo serão 400 mil. Um aumento de 10% em relação ao público do ano passado, segundo a direção da Basílica. Só na missa solene, às 10 horas, foram 30 mil fiéis, a capacidade total da igreja. Mas o sistema de som do lado de fora fez com que mais gente participasse da cerimônia. A missa foi celebrada pelo representante do papa no Brasil, Dom Alfio Rapisarda. Prefeitos da região participaram da missa junto com o governador Geraldo Alckmin e o Ministro dos Esportes e Turismo, Carlos Melles.Muitos fiéis ficavam horas na fila para admirar, por alguns segundos, a imagem original. Outros se acumulavam na sala dos milagres para levar peças em gesso em agradecimento a curas, ou das velas, onde mais de 150 mil unidades foram queimadas. Estes foram os lugares mais freqüentados do Santuário. Nas outras cerimônias, até às 16h, a Basílica também esteve lotada. Por volta das 15h, os ônibus começaram a deixar a Basílica. Segundo a Polícia Rodoviária Federal não houve problemas de grandes congestionamentos na saída da cidade. No ambulatório foram atendidas cerca de 500 pessoas até o final da tarde. Os casos mais freqüentes eram crises de hipertensão, pressão baixa, má digestão e febres. PazEm entrevista coletiva, o arcebispo de Aparecida, Dom Aloísio Lorcheider, disse que a paz é uma realidade que está dentro dos corações. "As orações de hoje foram pela paz mundial", comentou. Questionado sobre as mudanças drásticas no mundo, causadas pelos atentados nos Estados Unidos e pela resposta dos americanos e ingleses ao Afeganistão, o arcebispo foi categórico "Não podemos dizer que nunca mais haverá paz. A paz existe e sempre vai existir". Ao seu lado, o governador Geraldo Alckmin disse que rezou pelo mesmo motivo e pela sua família. "Rezamos muito hoje para que todos os ataques terminem".Histórias de fé"Eu fui curada". "Meu filho foi salvo". "Recebi um milagre, estou viva". Depoimentos como estes marcaram o dia da Padroeira no Santuário Nacional de Aparecida. Dentro e fora da Basílica, as pessoas desfilavam com velas de altura nas mãos e não era difícil encontrar fiéis de joelhos, com dificuldade, mas firmes em cumprir as promessas feitas à santa. A maioria dos devotos agradeciam ou buscavam soluções para doenças. "Há dez anos cumpro a promessa", disse Isabel Pimentel, que com os filhos adolescentes vestidos de anjo, viajou seis horas para acender duas velas e continuar a penitência. "No início do ano recebi a graça. Meu filho tinha uma doença incurável e teve alta dos médicos", contou emocionada.Edson Gomes da Silva, de 40 anos, carregava uma cruz de três metros. Fernando França Lopes, de 18 anos, seguia de joelhos pelos 600 metros da passarela que liga a Basílica Velha à Nova. Para eles, a fé em Nossa Senhora Aparecida removeu montanhas e quilômetros. É o caso de Alcides dos Santos, que saiu de bicicleta, de Itapororoca, interior da Paraíba, e andou 2.800 quilômetros, durante 30 dias, para chegar à Basílica. "É a terceira vez que faço isso em devoção à Padroeira do Brasil".A mesma fé que trouxe o paraibano trouxe também a mãe-de-santo Janaina de Aruanda. Acompanhada de um grupo de seguidores umbandistas, veio de Alegre, no Espírito Santo para agradecer e rezar para Oxum Maré, nome dado pela religião à Nossa Senhora Aparecida. "Precisamos de paz, viemos pedir a paz mundial", disse.

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